Coisas de trintona...

Maio 03 2009

Olá a todos.

Tenho estado muito tempo ausente, porque desde Janeiro que comecei uma caminhada no combate à infertilidade (que ficámos a saber que é inexplicada), pois desde há algum tempo que tentávamos ter um filho. Lá decidimos ir a uma clínica da especialidade e hoje, Dia da Mãe, anuncio que estou GRÁVIDA de 10 semanas de GÉMEOS!! São gémeos bivitelinos e estão bem, é o que sei até agora. E estamos muito felizes... e com os devidos enjoos, claro...

 

Nunca falei muito sobre isto, e tive a felicidade de começar com as consultas em Janeiro e de engravidar em Março ao 1º tratamento. Para quem me lê e não sabe ou não tem bem noção, existem muiiiiiiiiiiiitos casais no nosso país que desejam muito ser pais e não conseguem, devido a problemas mais ou menos complicados. Alguns lutam há quase 20 anos. Geralmente são as mulheres que «dão a voz e a cara», embora os maridos, lá atrás a apoiar-nos, também sofrem com a infertilidade. Conheci (não pessoalmente, muitas destas mulheres através da Associação Portuguesa da Fertilidade, associação à qual presto aqui um tributo por tanto que tem feito no nosso país em defesa de quem sofre com a infertilidade. Conheçam-nos em http://www.apfertilidade.org/ e leiam no forum os testemunhos. E acima de tudo informem-se sobre a infertilidade. Infelizmente no nosso país, a esta altura, ainda existe muita falta de informação, existem muitos mitos e muitos preconceitos.

 

Quando souber colocar fotos aqui, deixo uma fotografia dos meus filhotes.

Se tudo correr bem, vou ser mãe aos trinta e nove. Ser mãe aos trinta's... ainda vou a tempo de escrever sobre esse tópico neste canto das coisas de trintona. Esta seria mais uma delas: a infertilidade aos trinta. A gravidez aos trinta (e muitos...).

 

Feliz dia da MÃE!

 

publicado por 30girl às 13:17

Janeiro 19 2009

O meu querido pai faz hoje anos e está VIVO e bem. Já lhe telefonei de manhã e desejei-lhe muitos mais anos bons e junto de nós e felizes!  Logo talvez vamos jantar juntos, ainda não sei...

 

Está um dia horrível! Chuva e vento! Blagh!! Quero SOL!!!!

 

Parabéns PAPÁ!!

publicado por 30girl às 13:51

Janeiro 12 2009

Faz hoje 3 anos que a minha mãe morreu. Fui ao cemitério deixar-lhe umas flores. A caminhada naquele silêncio onde só se ouviam os pássaros e o vento nas árvores, foi agradável, apesar do momento, e o dia estava muito bonito, com sol. Enquanto caminhava calmamente e tentava controlar as lágrimas, apercebi-me como a correria do dia-a-dia não nos deixa sentir as coisas mais vezes e com mais intensidade. Falo das saudades que tenho da minha mãe, as saudades boas, e que a correria da vida tem acotevelado para poder passar.

Às vezes sinto falta de correr para o colo da minha mãe e ficar lá até deixar de sentir medo. Sinto saudades do cheiro da sua pele e de como essa familiaridade me fazia sentir segura. Começamos assim quando nascemos, a identificar a nossa mãe como porto de abrigo onde o mundo não nos pode fazer mal, e essa identificação começa pelo cheiro. E em adultos esse vínculo vai-se perdendo, conforme vamos conseguindo abrigar-nos noutros portos que nos acolhem.

Pouco tempo antes da sua morte lembro-me que a minha mãe me pedia que falasse com ela porque eu a acalmava, e hoje vejo esses momentos como se eu fosse, nessa altura, o porto de abrigo dela.

Um dia mais tarde queremos ser mães e sermos nós o porto de abrigo de alguém e sentimos um fogo cá dentro quando os nossos filhos nos querem a nós para abraçar. E assim vamos precisando de diferentes tipos de amor ao longo da vida.

E tal como uma mãe (pre)sente que um filho não está bem, também esta filha (pre)sentiu que nessa noite de há 3 anos e um dia atrás deveria ter ficado a dar-lhe a mão. Mas não me deixaram e só pude dizer e ouvir um «Até amanhã!».

 

Até amanhã, Mamã.

publicado por 30girl às 23:27

Janeiro 11 2009

Olá a todos e um bom ano de 2009!

 

Aqui estou eu de novo, mais descansada, mais relaxada, depois de algumas mudanças no trabalho e de duas semanas de férias bem passadas. «Ano novo, vida nova» e este ano decidi mesmo cumprir o ditado. Estes ditados são muitas vezes pretextos para fazermos algo que há muito queremos fazer mas que adiamos constantemente, mas por isso mesmo são importantes, porque nos dão o impulso necessário. No meu caso, por acaso, coincidiu com as mudanças no trabalho que me permitiram aliviar 3 anos de stress de trabalho intenso por força das circunstâncias. E o alívio psicológico tem contribuído para o alívio físico, apesar de efectivamente a carga física (em termos de horários) ter sido reduzida.

 

Recomecei o ginásio, coisa que sempre fiz e que agora há 3 anos que tinha parado e que tanta falta me fazia. A verdade é que me tenho sentido meio zonza, como que a desintoxicar de tanto stress. O nosso corpo habita-se de tal forma a certas doses de adrenalina que mais tarde se ressente disso. Quando a adrenalina baixa começamos a ficar doentes (a adrenalina é um estimulante do organismo) e parece que estamos de ressaca, porque tudo o que fique abaixo daquelas doses de adrenalina faz-nos sentir com astenia. É essa a ressaca que sinto agora.

 

Todo este tempo foi passado com esse stress do trabalho e a viver essencialmente para a família, por motivos de doença de familiares, aos quais tive que dar apoio. Ressenti-me um pouco disso porque desde então que tento engravidar, e nada. E por isso escrevo hoje sobre este tema; porque a dificuldade de tar um filho é efectivamente nos dias de hoje uma das muitas coisas de trintona.

 

Adiamos a maternidade por causa dos estudos, por causa da vida profissional, porque atingimos cada vez mais tarde uma relação estável. A verdade é que quase aos 40 anos, e apesar dos avanços na saúde e na ciência, o nosso corpo já percorre a linha descendente no que se refere à estimulação hormonal. E isto é tão verdade para mulheres como para homens.

 

No meu caso, só ao fim deste tempo todo, e essencialmente de há 5 meses para cá é que me tenho preocupado com esta questão, essencialmente porque as idas ao médico não têm adiantado muito porque me pede sempre os mesmos exames e que não servem para muito, porque são exames sobre a minha saúde em geral, e não exames de despiste de funcionamento hormonal, por exemplo. Finalmente resolvi enveredar por um tratamento de Medicina Chinesa (para não ir para tratamento hormonais agressivos, na minha perspectiva e segundo descrições de alguns casos) e lá me indicaram exames hormonais, pelo que fiquei a saber que tenho problemas de progesterona. Nestes últimos meses o meu sistema hormonal tem regularizado e vamos ver no que dá, até porque não é em pouco tempo que eliminamos os efeitos de 3 ou 4 anos de stress no nosso organismo.

 

Tenho lido algumas coisas na internet e tenho ido ao fórum da Associação Portuguesa de Fertilidade, e apercebi-me de quantos casais no nosso país lutam por um filho, mesmo em idades mais jovens. Algumas daquelas pessoas que lá partilham as suas vidas (essencialmente mulheres) passam por situações mais ou menos complicadas de (in)fertilidade, mas partilham também como venceram ao fim de alguns meses ou anos e tratamentos, e até milagres que foram acontecendo. Depois de as ler tomei conhecimento que nada sei e que há tanto para aprender, e é incrível como quase aos 39 anos não sei nada de fertilidade e afins!

 

Hoje tenho pena de não ter tido oportunidade de ter filhos bem mais cedo, porque o espírito é diferente e podemos, aos vinte anos deles, ainda ter a juventude suficiente (em termos físicos) para viver muita coisa com eles. É isso que pretendo fazer, sempre que a minha saúde me permitir (já que aos vintes dos meus filhos, terei, na melhor das hipóteses, sessentas...): viver com eles experiências que os meus pais não tiveram oportunidade de o fazer comigo, porque os tempos eram outros e as mentalidades também. Viver, no sentido mais amplo e subjectivo da palavra, é o mais importante.

publicado por 30girl às 14:51

Dezembro 15 2008
Perdida em acção, é exactamente a expressão que me ocorre para iniciar este meu regresso ao meu blog. Estou no bar da universidade com os meus headphones a ouvir a rádio M80 (cota!) a 45 minutos de me meterem na rua (o que é tempo mais que suficiente para vos dizer olá), e tentar relembrar o que vos quero dizer, que já escrevi um dia destes num ímpeto antes de ir dormir, porque agora é assim, as ideias vêm, as saudades de escrever aqui são tantas que me sai tudo em catadupas, o que aliás dá para ver pelo tamanho deste parágrafo. Pois é, ao fim de todo este tempo senti uma vontade imensa de voltar a escrever os meus pensamentos e as minhas emoções partilhá-las convosco e ouvir-vos também. É como se de repente eu voltasse à tona depois de cerca de 4 anos. Um interregno para me dedicar à minha vida familiar e ao EXCESSO de trabalho, trabalho esse sempre bem vindo (antes isso que não ter trabalho), mas que nos sufoca por vezes a alma, porque secamos e deixamos de respirar outras coisas.

É essa a sensação que tenho neste momento: que a vida se faz por ondas, por impulsos, por propagações. Andamos sempre a correr atrás de qualquer coisa, simbolizando aqui a «coisa», a motivação e o(s) objecto(s) de desejo e dedicação que vamos encontrando ou criando. E nesse processo mergulhamos em mares diversos e nem damos pelo tempo passar, como se entrássemos em apneia durante 3 ou 4 anos. E de repente, num momento único qualquer nesses anos, algo nos impele para cima para virmos respirar mais um pouco. É assim que me sinto agora ao voltar a escrever: como se viesse à tona para respirar um pouco de ar.

Passei todo este tempo dedicada a trabalho técnico sem tempo para extravasar o que tenho pensado e sentido. É que não basta pensar e sentir; para mim é importante agir sobre isso. Só assim nos mantemos vivos.

Agora que que estou aqui a escrever e a ouvir a M80, e ouço «I just died in your arms tonight» dos Cutting Crew sinto exactamente aquilo que tento transmitir: que vontade de ouvir e sentir coisas diferentes! Sinto-me sufocada de tanta razão, preciso de mais emoção. E ao ouvir esta música recordo a minha adolescência e tudo o que vivi nos anos 80 e de repente, apesar de ter sido (como aos trinta) a idade do acne, sinto tantas saudades de cada dia em que tive pele de galinha por tanta coisa.

Eis um tópico digno de coisasdetrintona: nostalgia para com os tempos que vivemos em adolescentes. Mas é mesmo isso. Os trinta o que nos traz é trabalhotrabalhotrabalho e um grande investimento no nosso córtex cerebral por tanta dedicação a planificação, responsabilidade, raciocínio, razão, trabalho técnico. De repente voltamos a sentir a falta de usarmos mais a amígdala (responsável, no nosso cérebro, pelo nosso lado mais emocional). Quem não sente falta de sentir o que sentiu com o primeiro grande amor? A primeira grande aventura adolescente com amigos? A bioquímica da paixão platónica que tanto poder tinha no nosso cérebro? A trip (desculpem o termo) do proibido? A trip de uma música? A felicidade da antecipação de um determinado fim de semana, de uma viagem, de um encontro? A felicidade fácil num momento simples e curto? Vistos de agora, até os dramas da altura nos davam vida.
E davam. Davam-nos alma. Punham-nos às cores e aos saltos.

Ultimamente tenho reencontrado companheiros e companheiras de acne dessa altura e senti um aperto por ver que estávamos tão diferentes. É óbvio que a idade faz a diferença, mas aqueles rostos eram para mim referências simbólicas dessa adrenalina que nos fazia subir paredes se fosse necessário, e agora, ao vê-los, não enconrei essas cores. O que me fez olhar para mim e pensar: «Também eu estarei cinzenta?». Sim, acho que até ando um pouco amarelada. Adrenalina não me falta, mas tem estado direccionada para deadlines, projectos técnicos e afins.

«You can do magic»... é o que ouço. Nem a propósito...
publicado por 30girl às 17:15

Dezembro 13 2005
A um mês e meio de estar casada só agora tive tempo para me sentar um pouco em frente ao computador (à noite e em casa, porque passo o dia em frente ao pc!), para vir dizer olá e acrescentar mais qualquer coisa a este tédio trintão que tem sido o meu blog... o qual provavelmente terá que ser reapelidado, porque de blog já não tem nada.

Enfim, regressada de lua-de-mel-cansativa-e-que-está-visto-que-é-bom-é-ir-apanhar-sol-e-não-visita-cultural, recomecei em força super-cola-3 no trabalho e nas andanças de um lado para o outro no hospital por motivo da doença da minha mãe.

Falando de coisas alegres e trágico-cómicas como manda a tradição grega e muito mais numa viagem de lua-de-mel à Grécia, tenho que vos contar que a minha viagem foi tudo menos o que é suposto ser uma lua-de-mel. Ou seja: levantar muito cedo porque as excursões partiam às 7 da manhã; decepção na parte cultural porque afinal a Grécia não é bem aquilo que mostram nas imagens (não se deixem iludir com a nova telenovela que mostra Santorini, porque o Algarve é melhor em muitos aspectos, e tirando Santorini, a Grécia é para se ver uma vez e pronto); Atenas muito suja e poluída; gregos mais ladrões que os turcos; cruzeiro com 90% de população idosa, pelo que eu e o meu marido (eheheheh! ainda não me habituei!) dançávamos sozinhos na discoteca até às 23h já que a partir das 21h estava toda a gente deitada; vomitei 3 vezes ( eu e metade dos passageiros) no último dia no barco porque o Mar Egeu é danado; havia um casal de recém-casados (faziam parte dos outros 10%) e a noiva passou todo o cruzeiro doente e a vomitar, e o pior de tudo é que a viagem foi uma surpresa do esposo (ficou desolado!); pouco tempo houve para namorar; 3 viagens de avião de regresso, de tal maneira que fiquei com zumbidos e vertigens por 4 dias.

E tudo isto numa semana. Pois, e eu que achava que fazer lua-de-mel de papo para o ar a apanhar sol era entediante. Mas os furacões eram tantos para os lados das caraíbas, e tenho medo de viajar tantas horas para o Brasil, e não me lembrei de mais nada....

Mas pronto, de resto correu tudo bem, e fartei-me de comer que nem uma lontra, mas ainda não comecei a preocupar-me com a linha (não tenho tempo), embora mantenha o peso. Notou-se logo foi na pele, que drama! Uma pessoa já vai na fasquia dos 35 e pronto.

Bem, tenho que ir trabalhar mais um pouco (a esta hora da noite, sim). É mais uma das crises da adolescência tardia: estamos no auge do trabalho, não necessariamente da carreira...
publicado por 30girl às 21:56

Outubro 04 2005
Hoje falo do casamento (cerimónia, festa) pós-trinta. Eu estou a meio dos 35 e vou casar pela primeira vez. É verdade que um dos sonhos da maior parte das mulheres é casar de vestido, véu e grinalda enquanto símbolos que são. Para mim também foi sempre um sonho casar vestida de noiva, ao som da marcha nupcial e numa festa com a família e amigos.

Estou agora a organizar as coisas pela segunda vez, porque tive que adiar a data do casamento devido à saúde da minha mãe. Agora já estou na parte dos pormenores e deparo-me a fazer opções que provavelmente não teria assumido se me tivesse casado aos vintes, como sempre sonhara. Por exemplo: a marcha nupcial de Mendelssohn soa-me estranha para um casamento civil e muito mais estranha me soa para um casamento aos 35. Dou por mim a pensar que estou a ser preconceituosa comigo mesma, estilo: «Que horror! Isso é música para igreja e para meninas mais novas.». Ok, acho a música demasiado pesada e déjà vu para casamentos de trintões. Também a indumentária sofreu modificações, é tudo mais simples. A própria festa é simples, a lua-de-mel é muito diferente do sonho... enfim, chego mesmo a pensar se, para além das auto-limitações económicas (sim, os trintões acabam por pagar o seu próprio casamento), também estarei a ser preconceituosa.

Serão os trintões preconceituosos consigo mesmos quando toca a rituais? Ou será que tornam as coisas realmente mais simples, mas mais refinadas? Ou não tem nada a ver com coisa nenhuma e afinal simplesmente mudámos, porque afinal, dos vinte para os trinta mudamos muito e só tomamos consciência disso aos trinta e cinco? Metaforicamente falando, claro.

Anyway, vou casar-me. Aos 35. Uau! :-)
publicado por 30girl às 22:27

Setembro 05 2005
A nossa existência nesta vida a que chamamos de humana e num sítio a que chamamos de planeta Terra, está presa por um fio que se chama corpo. Esse fio é tão depressa ultra resistente, como leve e fraco capaz de tombar com um sopro. Mas é o que temos, e vamos desde já assumir que apenas temos um.

Com ele somos capazes de fazer tanto e tão pouco. Por ele se pauta a qualidade da nossa vida. Por causa dele temos mais ou menos 80 anos (estou a ser optimista?) para viver da melhor maneira que conseguirmos.

Todos nós sabemos isto, suponho, mas só quando levamos um valente susto é que paramos para pensar «Só já tenho X tempo de vida e ainda não fiz nem um terço do que queria!». Às vezes só quando vemos as coisas de muito perto é que percebemos realmente a dimensão que elas têm. É o caso da doença, ou seja, tudo aquilo que enfraquece ou destrui a nossa existência (de corpo e alma). Este é, aliás, o único desafio (ou quase o único) que o Homem ainda não conseguiu vencer: garantir que a matéria que nos sustém não se degrade. O envelhecimento do nosso corpo é algo que ainda nos vence.

E o pior é que nós, estupidamente, teimamos em não deixá-lo envelhecer, cometendo barbaridades. Comemos mal, mexemo-nos pouco, entupimo-nos de químicos ao mínimo sintoma, e, mais ridículo ainda, tomamos álcool e drogas desmesuradamente. O ser humano tem esta capacidade incrível enquanto predador: teima em matar-se a si próprio. Refiro-me aos seus semelhantes, mas pior ainda, cada indivíduo a si mesmo. E na maior parte das vezes por razões no mínimo ridículos. Teimamos em continuar a comer porcarias, deixamo-nos engordar, e só quando já não conseguimos mexer-nos, quando nem conseguimos ver os pés, quando arfamos por tudo e por nada, quando vamos parar ao hospital com mil e um sintomas «simplesmente» por obesidade, é que pensamos que gostaríamos de voltar atrás no tempo.

Ou tomamos tanta porcaria para emagrecer e cometemos tantas barbaridades para emagrecer, que um dia o nosso fígado recusa-se a continuar a trabalhar.

Fumamos que nem umas bestas, porque é giro, porque dá estilo, porque sabe bem, e só quando o corpo se queixa (às vezes logo aos trintas e tais) é que paramos para pensar que se calhar, quando o corpo se queixa, é porque a coisa já está adiantada. Como é possível alguém fumar um cigarro logo às 8 da manhã? Ou fumar 20 cigarros por dia? É de loucos!

E já nem falo no resto....

Só sei é que temos que parar para pensar. Se já há tantos furacões, tantos terramotos e maremotos, tantos incêndios, tantas pessoas loucas a matar outras, porque é que insistimos em matar-nos a nós próprios a cada minuto que passa? E de que serve gastar tanto dinheiro, tantos nervos, tantas lágrimas, a cuidar de nós, se a seguir puxamos de um cigarro outra vez, ou voltamos a comer desalmadamente, ou voltamos a enfiar uma garrafa pelas malditas goelas abaixo? É no mínimo incongruente.

Por favor não me respondam que o Homem não é congruente. É a resposta mais fácil. Temos que conseguir chegar mais longe que isso.

A minha mãe saiu do hospital, mas a gravidade da sua doença continua. Cancelei o meu casamento, ainda sem nova data, porque achei que ía perdê-la já. Agora as coisas estão um pouco melhores. Apenas a nível de sintomas, porque todos os dias penso que já não se pode voltar atrás e que a cada dia que passa esse tempo atrás fica realmente cada vez mais distante... faço-me entender?

Só quando a vida nos dá com força, é que usamos estas nossas cabeças atrofiadas para pensar que tudo isto passa muito, mas muito depressa, e que cabe a nós decidir como queremos viver com a nossa cabeça, com a nossa alma, com o nosso corpo, com os outros. Mas nunca devemos esquecer-nos de uma coisa: sempre que dissermos: «Vivo como quero, o corpo é meu», se um dia esse corpo nos tramar, ele deixa de ser nosso para passar a ser daqueles que terão que nos alimentar, lavar, cuidar, para que possamos viver o resto do tempo que falta a desejar voltar atrás no tempo. Afinal, o nosso corpo não é só nosso. Nada é só nosso.

Eu assumi que o meu corpo não é só meu há já algum tempo: sou dadora de sangue e dadora de medula. São duas das maneiras mais simples de ajudar os outros e de contribuir para ajudar quem precisa, principalmente aqueles que, por injustiça da vida, passaram (ou começaram) a ter um corpo doente só porque a «Natureza» assim o quis.

Porque tenho medo do que o meu corpo se possa tornar um dia.
publicado por 30girl às 00:51

Agosto 19 2005
Ufa! Que montanha russa! O tempo passa a correr (e eu que achava esta frase tão dramática e fatalista quando em miúda a ouvia tantas vezes às minhas avós, mãe, vizinhas e afins) e tudo gira à nossa volta tipo matrix, sabemos que gira tudo a mil à hora à nossa volta mas temos que ver tudo com olhos de matrix, tipo câmara lenta, como as balas que passam pelo Keanu Reeves de tal forma que basta deitar-lhes a mão.

É isso, como se fizéssemos esse malabarismo de apanhar as balas todas sem perder uma de vista.

Férias que mais parecem não ser. Mãe internada no hospital há duas semanas e sem se saber muito bem como vão ser as coisas daqui para a frente. Casamento dentro de 4 semanas. Tantas balas. E grandes.

É por isso que não tenho muito tempo para estar mais vezes na vossa companhia. Mas fico muito contente por ver que continuam a aparecer. Espero que tudo isto acalme para poder cumprir a minha promessa de regressar em força.

É assim a vida de uma trintona.

Mas não há tempo a perder. A vida é um sopro: acontece muito depressa, mais depressa do que aquilo que temos consciência, e é sustentada por um fio invisível que temos que proteger dia após dia. Temos o dever de todos os dias respirar fundo e sentir o peito cheio... mesmo de pequenas coisas.

Até já.
publicado por 30girl às 00:02

Maio 05 2005
Caros amigos, finalmente arranjei tempo (tarde na noite) para vir aqui dizer mais qualquer coisa. Vocês nem imaginam quantas vezes tento. Sei que parece que deixei de ter assunto para escrever, como os poetas que só conseguem inspiração no sofrimento, mas não é verdade.

Agora que graças a nem sei o quê (a mim, ao meu trintão, a algo superior, às circunstâncias...) a minha vida sentimental está excelente, não pensem que deixei de ter assunto. Deixei foi de ter tempo, também porque a minha vida profissional me ocupa muito. É estranho como de repente a nossa vida assume formas e conteúdos tão opostos em tão pouco tempo! Eu já havia falado nisto, aqui mesmo, no meu blog. De repente, ou quase de repente, tudo na minha vida mudou para muito melhor. Às vezes parece que ainda não é verdade, mas é.

Mas hoje quero falar de uma pequena parte dessa mudança. Coisas de trintona(s), mesmo. É que a minha vida com outras trintonas, as minhas amigas trintonas, algumas mais «trintonas» que eu (if you know what I mean...), estagnou. Deixei de ir a jantares de trintonas amigas, de me encontrar tão amiúde com elas, de falar de tantos assuntos típicos das conversas de trintonas.

Não deixei de as amar, são minhas amigas, nem deixei de as respeitar, nem de as apoiar. Mas algo mudou. Acho que foi só o meu ponto de vista relativamente a certos assuntos. Dou-vos dois exemplos:

Um dia destes lá consegui arranjar tempo para ir ao ginásio. Encontrei-as lá. Uma delas, ainda antes de um «olá» meteu-me a mão na barriga e perguntou com ironia: «Estamos grávidas?». Em primeiro lugar detesto que me falem na primeira pessoa do plural quando se querem referir apenas a mim. Segundo: sei que a minha linha, agora que tenho muito menos tempo para o ginásio, já não é a mesma de há alguns meses.

Há um ano atrás eu tinha todo o tempo do mundo, infelizmente por estar desempregada, para me dedicar a coisas como «mente sã em corpo são». Agora não tenho. As minhas amigas trintonas são professoras, têm horários espectaculares, passam o tempo no ginásio, nas lojas, nos cabeleireiros, a viajar...

É verdade: olho para elas e o que vejo é mais ou menos aquilo que as outras pessoas deviam pensar de mim (pensavam menos porque elas sempre foram mais deslumbrantes que eu): trintonas, lindas, com um corpo invejável para a idade, produzidas, unhas sempre impecáveis, mas tristes e cheias de dúvidas existenciais.

Reparem: não estou agora a renegar coisas que disse e defendi nos meus primeiros textos neste blog. Não passei a ser preconceituosa. Estou simplesmente a tentar dizer que compreendo agora melhor certos comentários que eu própria ouvi muitas vezes.

E vou contar o segundo exemplo para que percebam onde quero chegar.

Decidi fazer um jantar em minha casa com elas, tinha saudades. Jantar só de mulheres, porque o meu trintão estava ausente. Cheguei a um momento do jantar em que deixei de ouvir, por falta de paciência e por estar fora de contexto. A maior parte do tempo aquelas «miúdas» falaram de dietas, ginásio, cabelos, unhas, roupa, homens, sexo, e outras «filosofias» que já se esvaneceram da minha curta memória. Coisas para as quais eu nem tenho tanto tempo quanto gostaria. É incrível que só uma delas, divorciada e com filhos, é que mostrava uma perspectiva algo diferente (embora se mantenha também deslumbrante).

Ok, confesso que às vezes sinto pena por não ter mais tempo para mim e para certas futilidades (ou não) que me fazem bem à alma. Mas quando penso no que tenho agora, no valor que tem o respeito de um homem por mim, a partilha, os pormenores do dia-a-dia de uma vida a dois, o facto de ter recuperado algum peso mas ainda assim gostar mais de mim do que elas gostam de si próprias, dar valor a coisas e momentos e projectos e pessoas e sentimentos que valem mais que tantas outras coisas que nos consomem energias em excesso.

Estou só a reflectir, aqui convosco, sobre sentimentos diversos que só agora tive tempo de circunscrever e compreender. Embora pareçam aspectos banais da vida, levam-me a pensar que se eu pudesse voltar atrás, teria dispendido mais tempo com outras coisas e com outras pessoas. Teria dado mais valor a outras coisas.

Cada vez mais me convenço do meu lema neste blog: ser trintona é mesmo uma adolescência tardia, ou a segunda fase da adolescência.

Eu sou eu mais as minhas circunstâncias.
publicado por 30girl às 00:02

O blog da segunda adolescência.
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