Coisas de trintona...

Dezembro 09 2003
Sim, hoje quero falar sobre «amor», e coloco a palavra entre aspas porque o conceito é muito relativo. Eu própria não sei defini-lo, se é que tem definição. E a maior parte das vezes quando tento fazê-lo fico sempre na dúvida se estou realmente a dizer o que é «amor» para mim, ou se estou apenas a tentar definir o ideal. Sim, são duas coisas diferentes. Ah, e já agora um esclarecimento: estou a falar do amor entre um homem e uma mulher.
Há que fazer esta distinção: o ideal de «amor» que guardamos dentro de nós, e o «amor» que é nosso, na nossa vida, ou seja, como amamos e somos amados. Ou ainda: como conhecemos a nossa forma de amar, como gerimos o amor nas nossas vidas (ok, vou deixar de escrever as aspas porque penso que já clarifiquei a ideia).
Eu acho que amar é muito difícil. Acho também que apesar de todas as teorias do género «o amor constrói-se», «o amor nasce da amizade», e outras, sinto que o amor tem a ver com sorte ou azar. É isso, sim. O amor entre um homem e uma mulher, antes de qualquer coisa, nasce de uma coincidência; a simples (???) coincidência de um homem e uma mulher gostarem (simplifiquemos por agora) um do outro no mesmo momento. Pode até começar por atracção física, mas eu acho que tem tudo a ver com sorte ou azar. Vou clarificar.
Às vezes, por mais que façamos tudo aquilo que achamos que a outra pessoa gosta ou deseja, parece que não conseguimos ser amados. Mesmo quando isso que fazemos não é simplesmente aquilo que achamos que a outra pessoa iria gostar, mas aquilo que ela própria nos disse que queria. Mesmo assim não resulta. Outras vezes fazemos tudo ao contrário do que era suposto e resulta. Eu, por exemplo, detesto jogos, calculismos, premeditações, falta de clareza e falta de frontalidade. Acho que as coisas se devem fazer por impulso, porque como já me disseram mais do que uma vez, é quando agimos por impulso que somos genuínos e a verdade está no que sentimos («sinto, logo existo»). Concordo que temos que ter uma certa dose de ponderação ou do dito bom senso, mas muitas vezes me pergunto porque é que eu tenho que me conter quando me apetece muito dizer a alguém: «Quero-te tanto que até dói!». Por orgulho? Porque a pessoa não merece? Porque às vezes é difícil admitir?
Comigo não é assim. Eu acho que quando queremos verdadeiramente alguém devemos dizê-lo, das mais variadas formas. Também acho que só devemos dar até um certo limite, porque deve haver um caminho de ida e outro de volta. Tenho amigos que acham que não; acham que amar é dar incondicionalmente; amar é quando nos esquecemos de nós mesmos para dar (seja o que fôr) a outra pessoa. Amar é abrir a mão e deixar voar (aqui concordo, porque estamos a dar aquilo que o outro quer: voar para longe de nós. E por muito que isso seja doloroso para nós, é dar). Em qualquer forma de amor. Mesmo quando não nos retribuem. Outros acham que esse amor incondicional é perda de amor-próprio, de orgulho, de respeito por nós próprios, e tantas outras coisas. Acham ainda que é quando deixamos de dar que vêm atrás de nós pedir o nosso amor. Porque é quando se perde e se sente a falta que se dá valor, porque aquilo que está ao nosso lado todos os dias se torna invisível... Será assim? Será que já nem temos tempo, mesmo frente àquilo que temos todos os dias, para parar e pensar/sentir (aqui não dissocio) porque é que queremos aquela pessoa?
Amar aos trinta é complicado. Já temos a nossa vida, o nosso espaço físico e o nosso espaço mental, os nossos vícios, e torna-se difícil alterar isso por alguém. Muitas vezes sentimo-nos sós e o que mais queremos é partilhar a vida com alguém, mas torna-se uma insegurança alterar aquela vidinha certinha para darmos um salto de cabeça na vida de outra pessoa.
Eu por mim tenho a perspectiva que o melhor é sempre ir lá. Não há nada pior do que ficar na segurança da nossa vida a sofrer com o pensamento: «E se...?». A consciência fica tranquila e o coração fica cheio quando fomos lá tentar, mesmo que tenhamos batido com a cabeça. Como me disse uma pessoa uma vez: «Chama-se a isso viver». E às vezes dói muito!
Foi por tudo isto e muito mais que por estes dias quis dizer a alguém (a essa mesma pessoa, curioso...) que o quero muito. Que quero tentar conhecer melhor os seus defeitos e virtudes, que quero que ele seja a primeira pessoa a quem me apetece contar uma frustração ou apenas pedir um abraço ou partilhar uma alegria. Que gostaria muito de tentar viver momentos daqueles tão banais do dia-a-dia que se tornam depois nas pequenas grandes coisas da nossa vida, a partir das quais sabemos que é com aquela pessoa que queremos estar; que é com aquela pessoa que nos sentimos bem, seguros, sem sequer sabermos explicar bem porquê. E tantas outras coisas que tornariam este meu desabafo muito maior do que aquilo que ele já está.
Era isso que eu queria dizer-lhe ontem, hoje, amanhã... e que de certa maneira disse, mesmo com o meu mau jeito, a lamber feridas ao mesmo tempo.
Às vezes somos totalmente surdos e tontos e engasgados e nem nos apercebemos. Ou fingimos que somos. Actuamos no amor como o fazíamos aos 15 anos: «quero-te mas não sou capaz de o dizer». Só que aos 15 é porque somos inexperientes; aos trinta é porque somos experientes e magoados. Por vezes, na atrapalhação, passamos a mensagem oposta àquela que temos dentro de nós. Mas o impulso é EXACTAMENTE o mesmo, caramba!
publicado por 30girl às 01:10

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