Coisas de trintona...

Maio 05 2005
Caros amigos, finalmente arranjei tempo (tarde na noite) para vir aqui dizer mais qualquer coisa. Vocês nem imaginam quantas vezes tento. Sei que parece que deixei de ter assunto para escrever, como os poetas que só conseguem inspiração no sofrimento, mas não é verdade.

Agora que graças a nem sei o quê (a mim, ao meu trintão, a algo superior, às circunstâncias...) a minha vida sentimental está excelente, não pensem que deixei de ter assunto. Deixei foi de ter tempo, também porque a minha vida profissional me ocupa muito. É estranho como de repente a nossa vida assume formas e conteúdos tão opostos em tão pouco tempo! Eu já havia falado nisto, aqui mesmo, no meu blog. De repente, ou quase de repente, tudo na minha vida mudou para muito melhor. Às vezes parece que ainda não é verdade, mas é.

Mas hoje quero falar de uma pequena parte dessa mudança. Coisas de trintona(s), mesmo. É que a minha vida com outras trintonas, as minhas amigas trintonas, algumas mais «trintonas» que eu (if you know what I mean...), estagnou. Deixei de ir a jantares de trintonas amigas, de me encontrar tão amiúde com elas, de falar de tantos assuntos típicos das conversas de trintonas.

Não deixei de as amar, são minhas amigas, nem deixei de as respeitar, nem de as apoiar. Mas algo mudou. Acho que foi só o meu ponto de vista relativamente a certos assuntos. Dou-vos dois exemplos:

Um dia destes lá consegui arranjar tempo para ir ao ginásio. Encontrei-as lá. Uma delas, ainda antes de um «olá» meteu-me a mão na barriga e perguntou com ironia: «Estamos grávidas?». Em primeiro lugar detesto que me falem na primeira pessoa do plural quando se querem referir apenas a mim. Segundo: sei que a minha linha, agora que tenho muito menos tempo para o ginásio, já não é a mesma de há alguns meses.

Há um ano atrás eu tinha todo o tempo do mundo, infelizmente por estar desempregada, para me dedicar a coisas como «mente sã em corpo são». Agora não tenho. As minhas amigas trintonas são professoras, têm horários espectaculares, passam o tempo no ginásio, nas lojas, nos cabeleireiros, a viajar...

É verdade: olho para elas e o que vejo é mais ou menos aquilo que as outras pessoas deviam pensar de mim (pensavam menos porque elas sempre foram mais deslumbrantes que eu): trintonas, lindas, com um corpo invejável para a idade, produzidas, unhas sempre impecáveis, mas tristes e cheias de dúvidas existenciais.

Reparem: não estou agora a renegar coisas que disse e defendi nos meus primeiros textos neste blog. Não passei a ser preconceituosa. Estou simplesmente a tentar dizer que compreendo agora melhor certos comentários que eu própria ouvi muitas vezes.

E vou contar o segundo exemplo para que percebam onde quero chegar.

Decidi fazer um jantar em minha casa com elas, tinha saudades. Jantar só de mulheres, porque o meu trintão estava ausente. Cheguei a um momento do jantar em que deixei de ouvir, por falta de paciência e por estar fora de contexto. A maior parte do tempo aquelas «miúdas» falaram de dietas, ginásio, cabelos, unhas, roupa, homens, sexo, e outras «filosofias» que já se esvaneceram da minha curta memória. Coisas para as quais eu nem tenho tanto tempo quanto gostaria. É incrível que só uma delas, divorciada e com filhos, é que mostrava uma perspectiva algo diferente (embora se mantenha também deslumbrante).

Ok, confesso que às vezes sinto pena por não ter mais tempo para mim e para certas futilidades (ou não) que me fazem bem à alma. Mas quando penso no que tenho agora, no valor que tem o respeito de um homem por mim, a partilha, os pormenores do dia-a-dia de uma vida a dois, o facto de ter recuperado algum peso mas ainda assim gostar mais de mim do que elas gostam de si próprias, dar valor a coisas e momentos e projectos e pessoas e sentimentos que valem mais que tantas outras coisas que nos consomem energias em excesso.

Estou só a reflectir, aqui convosco, sobre sentimentos diversos que só agora tive tempo de circunscrever e compreender. Embora pareçam aspectos banais da vida, levam-me a pensar que se eu pudesse voltar atrás, teria dispendido mais tempo com outras coisas e com outras pessoas. Teria dado mais valor a outras coisas.

Cada vez mais me convenço do meu lema neste blog: ser trintona é mesmo uma adolescência tardia, ou a segunda fase da adolescência.

Eu sou eu mais as minhas circunstâncias.
publicado por 30girl às 00:02

Quando se quer, arranja-se tempo para tudo!

Mas quanto às futilidades de que falas, por um lado concordo... por outro, tenho a certeza que de vez em quando fazem bem à alma. Uma mulher precisa dessas futilidades de vez em quando... ir às comprar com as amigas, ir ao ginásio (algo para o qual eu acho que devemos ter sempre tempo porque nos faz bem!), uma jantarada ou um convívio com amigas, uma ida ao cabeleireiro etc..essas coisas também fazem parte de nós. Claro que quando amamos alguém e somos correspondidas e temos essa pessoa connosco muita coisa muda, a vida toma proporções diferentes, a nossa perspectiva da vida muda um pouco... mas acho que nunca devemos deixar de fazer certas coisas porque nos ajudam a equilibrar as duas "vidas": a amorosa e a social/profissional. Não nos podemos nem devemos esquecer quem somos como mulheres... um dia podemos estar novamente sozinhas e tudo volta ao que era antes. No entanto, se conseguirmos encontrar esse equilibrio, o "reencontro" connosco mesmas depois de uma separação seriá menos penosa e muito mais fácil :)

Com esta conversa, pode parecer que sou uma solteira em recuperação, mas muito pelo contrário! Tenho uma relação saudável, amo muito o meu "trintão", mas também amo o meu espaço interior, amo as minhas coisas ... faz tudo parte de uma grande e bonito "bolo" da vida... não devemos descuidar nem do interior, nem da cobertura para podermos saborear bem o bolo por inteiro. Há quem diga que não se pode ter tudo... mas podemos e devemos tentar ;)

Queria já agora deixar uma nota quanto às "amigas" que te fizeram o comentário da grávida. Isso não passa de inveja! Elas, no fundo, talvez nem sejam felizes nos seus corpos esbeltos porque talvez não o trabalhem por elas, mas na tentativa de também encontrar alguém que as queira e que as ame. A forma de elas manifestarem essa frustração é fazendo esse tipo de comentários. Por isso digo.. se fizerem as coisas, façam por vocês, não para conseguirem homem... assim nunca serão felizes.


PS: Gostei muito do blog :) Parabéns!

mariana a 21 de Julho de 2005 às 09:19

Olá... Há já algum tempo que não tinha oportunidade de vir aqui a este teu cantinho e perder-me um pouco nos teus posts... A desculpa, é quase um lugar comum, falta de tempo!!
Adorei o teu post, como sempre... espero que, entre as idas ao ginásio, trabalho e afins, continues a partilhar os teus pensamentos aqui neste teu espaço. Obrigado. BJ, Paulo
Paulo Ferreira a 1 de Junho de 2005 às 15:13

O blog da segunda adolescência.
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