Coisas de trintona...

Dezembro 13 2003
Uma amiga disse-me isto hoje. Nada que eu não andasse a pensar há uns dias. Eu preciso parar. Neste momento preciso disso. E antes de parar é preciso saber parar. Não basta ter consciência de que é preciso parar. Parar e reflectir. Ouvir. Sentir. Respirar. Observar.

Deixo-vos com esta ideia e virei mais tarde completá-la. Entretanto, se tiverem alguma coisa a dizer, adiantem-se, por favor.
publicado por 30girl às 01:45

Dezembro 10 2003
Meu Deus, no que me vou meter hoje! Ok, vou respirar fundo e começar...
...
A pergunta que se impõe é: serão os homens realmente tão diferentes das mulheres nas questões do amor? Estou tão cansada de ouvir coisas como «os homens são mais racionais», «as mulheres complicam tudo», «os homens são todos iguais», «as mulheres são todas iguais», «os homens só pensam em sexo», «os homens gostam de ser maltratados», «as mulheres falam venusiano e os homens falam marciano», e tantas outras barbaridades que passamos, todos nós, o tempo a vomitar, uma vezes com fé, outras apenas como desabafo. Não será que queremos todos o mesmo?
Será verdade que os homens são educados (por nós mulheres/mães também, é verdade) para esconderem sentimentos? Será que «os homens não choram»? Será que não ambicionamos todos o mesmo: «assentar» com aquela pessoa que nos faz sentir um conforto inexplicável?
Quantos homens conheço eu que tinham todas as namoradas que queriam; namoravam várias ao mesmo tempo; apregoavam aos ventos que o casamento não era para eles; viviam a vida a mil; parecia que não gostavam de ninguém a não ser de si próprios; magoavam todas as mulheres que encontravam pela frente... até ao dia em que conheceram uma mulher, a menos bonita de todas, a mais tímida e cinzenta de todas, a menos interessante de todas, e casaram com ela, acalmaram, mudaram a 200%!
Ou mulheres que apregoam a sua individualidade e depois se submetem a estranhas formas de vida; ou que defendem com unhas e dentes certos valores intocáveis e «no escuro» são mais cruéis com os homens que muitos deles!
Eu acho que todos queremos o mesmo, mas manifestamo-lo de formas diferentes por obrigação social. As mulheres não são complicadas, simplesmente verbalizam mais o que sentem. Antecipam-se. Os homens têm tantos medos quanto nós. Os homens têm tanto medo de amar quanto nós. E o fardo para eles até é mais pesado, porque a sociedade não os deixa carpir as suas mágoas como as mulheres. Para nós é aceitável o choro, a lamechice de sofredora por um coração destroçado; aos homens isso não é permitido; associa-se a fraqueza.
Há mulheres que superam um coração destroçado muito melhor que certos homens. Conheço um ou outro caso de homens que por uma desilusão amorosa se tornaram as pessoas mais revoltadas e cinzentas que conheci até hoje.
No caso dos trintões e das trintonas os epítetos e os chavões tornam-se mais graves, porque cada um de nós sente o relógio biológico de tal forma que parece que os outros conseguem vê-lo a bater no nosso peito. Nós, mulheres, somos logo apelidadas de «trintonas solteironas» tresloucadas que correm desesperadamente atrás de um noivo «voluntário à força». Ou então, as que já estão casadas, são vistas (muitas vezes até pela própria concorrência, perdoem-me a expressão) como velhas e acomodadas e sem o brilho de outrora. Os trintões são vistos como estando no seu auge, a idade do «posso tudo, mas agora com outra sabedoria», cobiçados mesmo se estão casados (ainda para mais se tivermos em conta que a proporção será de várias mulheres «para» cada homem!). Só há uma diferença que me irrita: é que para uma mulher, estar solteira aos trinta não é muito aceitável, é tarde... Para um homem, não, é normal. Sei que a questão está associada à maternidade, mas a sociedade atribui-lhe um sentido pejorativo, tipo «mulher trintona é mulher fora de prazo».
E verdade seja dita que nós próprias sentimos essa pressão, a incorporamos, deixamos que esse preconceito nos entre na pele como uma doença. De tal forma que até nos inibimos de mostrar como estamos, isso sim, nos nossos melhores anos! A líbido lá em cima; o relativismo melhorado; a sabedoria acumulada; a segurança adquirida. Mas a sociedade impõe-nos uma marca de apressadas, complicadas, desesperadas, perturbadas...
Provavelmente todos nós nos deixamos vencer pelo cansaço. O cansaço de estarmos sós; de termos conseguido estudar e trabalhar até aí, até esse ponto em que «agora preciso é que tomem conta de mim outra vez». A transição entre a casa dos pais e a nossa casa com a nossa vida e os nossos dissabores, é complicada. Porque na casa dos nossos pais estavam lá eles para, melhor ou pior, nos emprestarem a suas mãos para nos aparar a dor ou as faltas de dinheiro ou de prazos. Quando passamos a ter aquilo que sempre quisémos, «o nosso espaço», deixamos de ter coragem de lhes pedir esse apoio tão frequentemente, mas sentimos falta dessa partilha. Porque todos nós precisamos de cuidar de alguém e que alguém cuide de nós.
Todos queremos o mesmo, acho eu: um homem ou uma mulher ao nosso lado que nos faça sentir que somos importantes para ele/ela; que nos conte todos os dias, ou nos oiça, o detalhe mais estapafúrdio, inusitado mas delicioso do mundo; que confie em nós e em quem confiamos de olhos fechados e a mil kilómetros de distância; que sem que tenhamos que pronunciar uma única palavra nos compreenda quase como a si próprio(a); que se sinta à vontade para descarregar em nós uma frustração... até que a morte nos separe.
publicado por 30girl às 00:16

Dezembro 09 2003
Navegava hoje num site espanhol sobre judaísmo, quando me deparei com um artigo com o título supracitado. A determinada altura lê-se o seguinte:

«Todos los rostros del mundo son espejos. Decide cuál llevarás por dentro y ese será el que mostrarás externamente y los demás verán. El reflejo de tus gestos y acciones es lo que proyectas ante los demás. Las cosas más bellas del mundo no se ven ni se tocan, sólo se sienten con el corazón.
Es por eso que debemos proyectar lo mejor de nuestro interior, mediante nuestras acciones y nuestra actitud frente a la vida, para así poder disfrutar el reflejo de esa proyección!! »
_____


«As coisas mais belas do mundo não se vêem nem se tocam, só se sentem com o coração».
publicado por 30girl às 20:48

Dezembro 09 2003
Sim, hoje quero falar sobre «amor», e coloco a palavra entre aspas porque o conceito é muito relativo. Eu própria não sei defini-lo, se é que tem definição. E a maior parte das vezes quando tento fazê-lo fico sempre na dúvida se estou realmente a dizer o que é «amor» para mim, ou se estou apenas a tentar definir o ideal. Sim, são duas coisas diferentes. Ah, e já agora um esclarecimento: estou a falar do amor entre um homem e uma mulher.
Há que fazer esta distinção: o ideal de «amor» que guardamos dentro de nós, e o «amor» que é nosso, na nossa vida, ou seja, como amamos e somos amados. Ou ainda: como conhecemos a nossa forma de amar, como gerimos o amor nas nossas vidas (ok, vou deixar de escrever as aspas porque penso que já clarifiquei a ideia).
Eu acho que amar é muito difícil. Acho também que apesar de todas as teorias do género «o amor constrói-se», «o amor nasce da amizade», e outras, sinto que o amor tem a ver com sorte ou azar. É isso, sim. O amor entre um homem e uma mulher, antes de qualquer coisa, nasce de uma coincidência; a simples (???) coincidência de um homem e uma mulher gostarem (simplifiquemos por agora) um do outro no mesmo momento. Pode até começar por atracção física, mas eu acho que tem tudo a ver com sorte ou azar. Vou clarificar.
Às vezes, por mais que façamos tudo aquilo que achamos que a outra pessoa gosta ou deseja, parece que não conseguimos ser amados. Mesmo quando isso que fazemos não é simplesmente aquilo que achamos que a outra pessoa iria gostar, mas aquilo que ela própria nos disse que queria. Mesmo assim não resulta. Outras vezes fazemos tudo ao contrário do que era suposto e resulta. Eu, por exemplo, detesto jogos, calculismos, premeditações, falta de clareza e falta de frontalidade. Acho que as coisas se devem fazer por impulso, porque como já me disseram mais do que uma vez, é quando agimos por impulso que somos genuínos e a verdade está no que sentimos («sinto, logo existo»). Concordo que temos que ter uma certa dose de ponderação ou do dito bom senso, mas muitas vezes me pergunto porque é que eu tenho que me conter quando me apetece muito dizer a alguém: «Quero-te tanto que até dói!». Por orgulho? Porque a pessoa não merece? Porque às vezes é difícil admitir?
Comigo não é assim. Eu acho que quando queremos verdadeiramente alguém devemos dizê-lo, das mais variadas formas. Também acho que só devemos dar até um certo limite, porque deve haver um caminho de ida e outro de volta. Tenho amigos que acham que não; acham que amar é dar incondicionalmente; amar é quando nos esquecemos de nós mesmos para dar (seja o que fôr) a outra pessoa. Amar é abrir a mão e deixar voar (aqui concordo, porque estamos a dar aquilo que o outro quer: voar para longe de nós. E por muito que isso seja doloroso para nós, é dar). Em qualquer forma de amor. Mesmo quando não nos retribuem. Outros acham que esse amor incondicional é perda de amor-próprio, de orgulho, de respeito por nós próprios, e tantas outras coisas. Acham ainda que é quando deixamos de dar que vêm atrás de nós pedir o nosso amor. Porque é quando se perde e se sente a falta que se dá valor, porque aquilo que está ao nosso lado todos os dias se torna invisível... Será assim? Será que já nem temos tempo, mesmo frente àquilo que temos todos os dias, para parar e pensar/sentir (aqui não dissocio) porque é que queremos aquela pessoa?
Amar aos trinta é complicado. Já temos a nossa vida, o nosso espaço físico e o nosso espaço mental, os nossos vícios, e torna-se difícil alterar isso por alguém. Muitas vezes sentimo-nos sós e o que mais queremos é partilhar a vida com alguém, mas torna-se uma insegurança alterar aquela vidinha certinha para darmos um salto de cabeça na vida de outra pessoa.
Eu por mim tenho a perspectiva que o melhor é sempre ir lá. Não há nada pior do que ficar na segurança da nossa vida a sofrer com o pensamento: «E se...?». A consciência fica tranquila e o coração fica cheio quando fomos lá tentar, mesmo que tenhamos batido com a cabeça. Como me disse uma pessoa uma vez: «Chama-se a isso viver». E às vezes dói muito!
Foi por tudo isto e muito mais que por estes dias quis dizer a alguém (a essa mesma pessoa, curioso...) que o quero muito. Que quero tentar conhecer melhor os seus defeitos e virtudes, que quero que ele seja a primeira pessoa a quem me apetece contar uma frustração ou apenas pedir um abraço ou partilhar uma alegria. Que gostaria muito de tentar viver momentos daqueles tão banais do dia-a-dia que se tornam depois nas pequenas grandes coisas da nossa vida, a partir das quais sabemos que é com aquela pessoa que queremos estar; que é com aquela pessoa que nos sentimos bem, seguros, sem sequer sabermos explicar bem porquê. E tantas outras coisas que tornariam este meu desabafo muito maior do que aquilo que ele já está.
Era isso que eu queria dizer-lhe ontem, hoje, amanhã... e que de certa maneira disse, mesmo com o meu mau jeito, a lamber feridas ao mesmo tempo.
Às vezes somos totalmente surdos e tontos e engasgados e nem nos apercebemos. Ou fingimos que somos. Actuamos no amor como o fazíamos aos 15 anos: «quero-te mas não sou capaz de o dizer». Só que aos 15 é porque somos inexperientes; aos trinta é porque somos experientes e magoados. Por vezes, na atrapalhação, passamos a mensagem oposta àquela que temos dentro de nós. Mas o impulso é EXACTAMENTE o mesmo, caramba!
publicado por 30girl às 01:10

Dezembro 05 2003
Às vezes deparo-me com esta dúvida: qual das duas «adolescências» é pior? A fase-borbulha ou a fase-preocupação? Entre estes dois momentos conturbados, qual é mais doloroso e qual é mais traumatizante?
Façamos um rewind. O meu caso, por exemplo. Quando eu tinha 15 anos era gordinha, tinha borbulhas, era a melhor aluna da turma. Mas era insegura porque o que estava a dar era ser alta, magra e gira. De resto, não tinha mais preocupações, até porque os estudos se faziam quase de olhos fechados.
Hoje, aos 33, a minha aparência é muito mais atraente, fiz os meus estudos, etc e tal. E continuo insegura. Já não tenho borbulhas, é verdade, mas deparo-me nesta idade com mais razões para ser ainda mais insegura: apesar de ter feito a escola toda (toda mesmo!) deparo-me este mês com o desemprego certo. E uma casa para pagar. Os problemas com os rapazes continuam (sim, porque dos 15 aos 30 e tal eles não mudam muito... ficam mais peludos, but that's all folks!). Por isso, o que tenho a menos em relação aos meus 15 anos são as borbulhas e uns kilos. Já não é mau, não acham?
É incrível, não é? É assustador parar de repente e pensar: «Uau! Tenho esta idade e que alcancei? Uma carreira? Não. Um relacionamento saudável? Não. Um filho? Não. Uma casa? Quase. Então????!!». Aos 25 anos a minha mãe tinha carreira, tinha casado com o seu amor, tinha um filho, tinha uma casa, tinha atingido quase todos os objectivos de vida...
Olho para baixo e a rede não está lá. E logo eu, que nunca quis ser trapezista! Outras vezes olho à volta e sinto-me como se tivesse uma bola vermelha no nariz. Quando eu tinha 15 anos pensava que ainda tinha muitos anos à minha frente para fazer tudo: emagrecer, construir um relacionamento, conseguir uma carreira, fazer limpezas de pele, polir o trapézio e ser o palhaço rico. Hoje vejo tudo lá do outro lado. Ou quase tudo, porque também é verdade que tenho hoje uma garra que não tinha naquela época. Até acho uma certa piada ser palhaço pobre. Pelo menos era sempre esse que me fazia rir quando eu ía ao circo.
Seja como fôr, tento sempre seguir o lema de Brian: «always look on the bright side of life»... turu.. turu... turururururu...
publicado por 30girl às 02:03

Dezembro 04 2003
Decidi hoje criar o meu primeiro (e quem sabe se único) blog. Já tinha pensado nisto antes, mas hoje, por força de circunstâncias várias, foi de vez. Para já chamo-lhe «Coisas de trintona», mas ando aqui com umas ideias a ferverem na minha cabeça... (sim, eu sei, uma mulher a pensar pode ser do pior que pode haver... ou do melhor). Eu até acho que penso demais, por isso imaginem o que vos espera. Sempre podem não aparecer por cá... mas eu quero que apareçam, que me leiam, que partilhem a vossa adolescência tardia. É que é assim que me sinto: como uma adolescente tardia. Aliás, acho que a minha «primeira» adolescência foi bem mais calma que a actual. Agora que tenho 33 anos tenho dúvidas tremendas, (ok, quem não tem dúvidas?) que me causam taquicardias e inquietações piores que aos 16 anos.

Se existir por aí algum(a) trintão(ona) que tenha dúvidas, que atire o primeiro comentário. Os que não tiverem dúvidas também.
publicado por 30girl às 20:26

O blog da segunda adolescência.
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