Coisas de trintona...

Janeiro 16 2004
Andei a dar uma olhadela, a fazer leitura transversal, pelos bolgs do sapo e cheguei a uma conclusão: já repararam a quantidade de blogs que existem onde as pessoas fazem as suas catarses? A ideia será também essa. Se um blog é comparável a um diário online, então o blog é autobiográfico. E mais: como não sabemos quem está do outro lado e podemos usar nicks, torna-se até mais fácil «despirmo-nos» (para usar uma expressão que usaram em relação ao meu blog). É claro, também faço do meu blog um espaço de catarse, mas parece-me que no meu uso mais um tom de revolta, sem resignação ou desistência. A maior parte dos blogs que tenho visto, ou é de cariz ordinário e vulgar ou é de cariz pessimista, negativista, de frustração, prostração, resignação, desistência, auto-flagelação... É incrível! A quantidade de gente que por aí existe que se sente tão só, tão perdida, com tanta auto-comiseração, com tão pouca auto-estima, com tanta falta de perspectiva ou novas perspectivas das coisas, sem sequer se aperceberem que fecharam os olhos, os ouvidos, os poros.
Por favor, respirem fundo e abram os olhos. A luz vai ferir-vos, mas como somos animais de hábitos, a sua presença vai tornar-se «normal» e até agradável. Tal e qual como nos habituámos à escuridão e ao marasmo.

Levantem-se e vivam!!! :)
publicado por 30girl às 00:52

Janeiro 15 2004
É incrível como às vezes chegamos à conclusão de que provavelmente não conseguimos conhecer ninguém verdadeiramente. É algo que custa muito. Recentemente aconteceu-me isso.

É estranho como as pessoas podem mudar tanto e tão depressa! Ou não; simplesmente sempre foram assim e de repente revelam-se. Ou então nós é que nunca reparámos.

Se calhar é um risco que corremos e temos que correr sempre na nossa vida.
publicado por 30girl às 00:54

Janeiro 08 2004
Hoje quero escrever sobre um assunto que me tem causado grande revolta devido à intolerância das pessoas. E escrevo a propósito de (mais) dois comentários recentes que ouvi.
Aconteceu que no fim de ano fui para uma festa em casa de uma amiga. Éramos várias mulheres na faixa dos trinta (e tal...), solteiras. Havia uma divorciada e um divorciado também. Quando comentei com alguém que ía para essa festa, o comentário que ouvi, em tom sarcástico foi: «As solteironas todas!»
O segundo comentário foi de um amigo que me disse a propósito de uma dessas minhas amigas que se ela era bonita, inteligente e solteira, estando na faixa dos trinta, só podia ter um problema qualquer.
O primeiro comentário veio de um homem trintão, casado e pai, que casou com o seu amor de sempre (namorada de há 15 anos) e que está bem na vida. O segundo comentário veio de um trintão, solteiro, com os seus problemas e ansiedades como qualquer um de nós nesta vida.
Irritam-me solenemente estes comentários! Quando será que as pessoas deixam de ser tão intolerantes?? Será que ser «trintona solteirona» (e já estas expressões são carregadas de sentido pejorativo) significa que se tem alguma doença contagiosa? Seremos freaks? Olha que merda! Porque é que as pessoas não param para pensar que esse tipo de comentários é descriminatório, sexista, intolerante, que magoa, que mostra falta de inteligência, falta de sentido humano, falta de compreensão e falta de sensibilidade, ou até falta de coragem de olhar para dentro e perceber que toda a gente tem ansiedades?
Em primeiro lugar, é muito fácil falar quando se está bem na vida. E isto vale para tudo. Dar conselhos e comentar uma situação quando se está bem é fácil; difícil é colocarmo-nos no lugar do outro. Em segundo lugar, temos que ter cuidado com os feitiços que lançamos, porque eles podem voltar-se contra nós. Todos nós temos inseguranças, problemas, ansiedades, dúvidas, feridas. Seja qual for o nosso sexo, preferência sexual, idade, estado civil... Por isso temos que ter cuidado com as observações que fazemos porque às vezes não sabemos bem quem temos ao nosso lado, mesmo que seja alguém conhecido. Mais: todos nós temos as nossas defesas, e mesmo esses feitiços lançados (comentários menos oportunos) podem ser defesas de quem os lança. Por vezes defendemo-nos atacando os outros.
Mas devemos fazer o exercício de parar para pensar nos outros, colocarmo-nos no lugar deles e tentar compreendê-los melhor. E também parar para olharmos mais para nós.
Se aquela festa só tinha solteiras, é porque os e as casadas estarão reunidos com outros casados e casadas. É mesmo assim: agrupamo-nos por semelhança de condições. As minhas amigas casadas, infelizmente, já não fazem nada sem os respectivos maridos.
Outro tipo de observações que me irrita é a que fazem sempre quando vou aos casamentos dos meus amigos. «Então e tu, quando te casas? Ai, uma rapariga tão gira e não casa??». Não há paciência!!
Isto parece «síndrome de Bridget Jones», e até é. Para quem viu o filme, deve ter percebido várias coisas:
a) O filme retrata, de forma ironizada, uma situação social típica da actualidade: o crescente número de mulheres solteiras, já na faixa dos trinta, e de homens divorciados mais ou menos na mesma faixa etária. Lembram-se que quer o Daniel Cleaver (Hugh Grant), quer o Mark darcy (Colin Firth) eram divorciados.
b) A figura de Bridget Jones (Renée Welzegger) era uma caricatura, ou seja, com certas características insufladas para que o filme pudesse ser uma comédia (desculpem estar a mencionar uma coisa que parece ser óbvia, mas infelizmente conheço pessoas que viram o filme e não perceberam o exagero do personagem).
c) Os comentários que os familiares e amigos de familiares da Bridget faziam, são, com o devido exagero, os comentários que as solteiras geralmente ouvem. Eu própria já os ouvi.
d) Há uma cena no filme em que o Mark Darcy (Colin Firth) diz à Bridget que gosta dela exactamente como ela é. Aleluia! Essa cena é, na minha opinião, o ponto alto do filme, tendo em conta que mostra o contraponto de tudo o que aconteceu até aí. Ou seja, a Bridget, por muito que não queira, acaba por ser condicionada pelo preconceito social a respeito das solteironas (não se casou nem tem namorado, logo tem «defeito»), e por isso age de forma algo «estranha» a tentar fazer as coisas certinhas, de acordo com as exigências sociais e familiares. O esforço é muito grande, entre a revolta aos comentários e o desejo de aceitação. E quando finalmente Darcy tem o vislumbre, inteligência, sensibilidade, de compreender e assumir que gosta dela como é, está a fazer (porque quer, evidentemente) aquilo que qualquer pessoa deseja: que se coloquem no nosso lugar e nos aceitem como somos (o que não implica que não se debatam outras questões). Se repararem, é a partir desse momento da história que a Bridget relaxa.
Conheço várias mulheres lindas, mais bonitas que muitas jovens de 20 anos, inteligentes e cultas, que estão sozinhas aos trinta e tal anos. Eu incluída (sim, estou a vangloriar-me). E gostava que as pessoas fossem mais tolerantes e parassem um pouco para pensar: «Porquê?». E antes de assumirem num ápice que «devem ter defeito, devem ser histéricas, devem ter uma doença contagiosa, devem ser burras na quinta casa, devem ser loucas, devem ter mau feitio, devem ser frígidas, devem.....», por favor, pensem que temos feridas, medos, ansiedades, vontade de fazer outras coisas antes de casar, desejos, mágoas, alegrias de que não prescindimos, enfim... não somos o monstro «trintona solteirona» que por aí apregoam.
E digo-vos: conheço muitos homens nesta faixa etária, também solteiros, que também têm os seus medos e desejos. E que também têm epítetos, mas que ironicamente são mais facilmente aceites pela sociedade, porque é «mais normal» um «trintão solteirão» que tem muitas namoradas, que uma «trintona solteirona» que já devia era estar com a barriga encostada ao fogão e a cuidar de crianças.

Ora, tenham paciência!
___________________________

Uma amiga minha, também «trintona solteirona», fez este comentário ao meu artigo:

«Sabes que por vezes penso que a Bridget Jones encarnou em mim... mas depois penso também: "Então onde estão os gajos a lutar por mim à porta do restaurante ao som do It's raining men?"».

Por acaso já repararam que o filme começa com «All by myself» e termina com «It's raining men»? ALELUIA!

YESSSSS!!!! =0)

Rectificação: Daniel Cleaver representa o trintão solteirão, eterno namoradeiro e com a mania que é esperto, que mente e não tem escrúpulos; Mark Darcy representa o divorciado magoado e que parece que por ter sofrido na pele a perda, sabe dar valor aos sentimentos e respeitar as mulheres.
publicado por 30girl às 15:28

Janeiro 08 2004
Parece-me que querem (sem qualquer ordem):

1) Reconhecimento profissional.
2) Reconhecimento sexual.
3) Que as mulheres não façam filmes, não sejam histéricas, não sejam sufocantes, que levem certas coisas mais na desportiva.
4) Ter sempre tempo para os amigos.
5) Sexo frequentemente e, de preferência, de qualidade.
6) Reconhecimento social (entre os amigos, os colegas de trabalho, as mulheres, etc).
7) Um bom carro.
8) Que os deixem sozinhos e calados ou a fazer as suas coisas quando estão chateados ou a ruminar qualquer coisa.
9) Uma lady na mesa e uma nãoseiquê na cama (de preferência que seja a mesma, estão a ver?!). Ou dito de outra forma, uma mulher 2-em-1: uma excelente companheira-cozinheira-mãe durante o dia; e uma excelente amante durante a noite (ou de dia, também não faz diferença).
10) Como cheguei à nona com alguma ironia, deixo a décima para colocar uma boa ideia de um dos vossos comentários.

Esta é, pelo menos, a minha perspectiva mais ou menos séria e directa das coisas.

Comentários?
publicado por 30girl às 01:01

Janeiro 06 2004
A propósito do filme do mesmo nome (com Helen Hunt e Mel Gibson), lembrei-me
de falar um pouco sobre isto.



Ok. Então, o que as mulheres querem? O que querem em geral, e o que querem
dos homens (não vale a pena esclarecer, parece-me, que escrevo sobre
relacionamentos heterossexuais)...

Que os homens vão às compras connosco? Que chorem nos filmes? (Segundo um
dos comentários). Bem, suponho que isto serão metáforas, ou seja, no
primeiro caso que nos acompanhem nas nossas actividades (banais ou não, e
nem sempre), tal como os homens gostam que as mulheres aceitem e acompanhem
algumas das suas actividades. No segundo caso, o que queremos, ou gostamos,
é de homens sensíveis, mas não no sentido em que tenham que chorar.
Sensibilidade no sentido de observação, e não de lamechice.

Vou então passar a enumerar uma lista breve de pequenas e grandes coisas que
as mulheres querem... acho eu...:



1) Querem partilhar a vida com alguém (ninguém gosta da solidão, certo?)

2) Querem sexo. Embora muitas finjam que não porque aceitam o preconceito de
que os homens só pensam em sexo e as mulheres não. Balelas. E de qualidade,
claro.

3) Querem ser mães. A experiência de sentir o que é gerar uma outra
vida.

4) Querem ser ouvidas. As mulheres precisam muito disso.

5) Querem ser compreendidas. Ou seja, não basta ouvir com os ouvidos, há que
ouvir com o coração, a alma, o corpo... Ver para além de, e dar feedback do
que se ouve.

6) Querem homens que falem, ou seja, gostam de ver as coisas esclarecidas,
não gostam de dúvidas.

7) Querem ser respeitadas pelo trabalho que escolherem.

8) Querem deixar de ser consideradas histéricas (embora muitas vezes
contribuam para o epíteto!!!). Umas esforçam-se mais que outras, é
verdade...

9) Querem ser mimadas, mas não apaparicadas ao ponto da lamechice mais
pegajosa! Ou seja: gostamos que os homens tenham atenções para connosco, até
os mais pequenos gestos, mas não suportamos os homens que não nos largam e
não nos deixam respirar. Como qualquer pessoa, suponho.

10) Querem conseguir ser mais objectivas consigo mesmas.



Para já deixo estas 10 ideias. Mais comentários?
publicado por 30girl às 01:41

Janeiro 04 2004
Voltei. Ao fim de algum tempo decidi voltar, mas para vir apagar este blog. Nem sei bem porquê. Continuo na dúvida.

Enquanto tomo uma decisão, cumpro o prometido: partilhar a ideia de que às vezes é preciso parar. Passamos muito tempo a olhar para os outros, a criticar os outros, a fazer exigências aos outros, a cobrar aos outros... e esquecemo-nos de olhar para nós mesmos, criticar-nos, fazermos uma análise de nós mesmos, do nosso comportamento. Disseram-me há dias que «somos muito mais responsáveis pelo que se passa à nossa volta do que aquilo que pensamos» e a partir daí decidi parar um pouco e olhar para mim e para as minhas circunstâncias. Olhei para trás e para o agora e fiquei boquiaberta ao tomar consciência de que realmente passei tempo demais na minha vida a lamentar-me, a ter pena de mim mesma, a achar-me uma azarada e uma coitadinha, sem fazer nada, quando afinal eu é que tenho que mudar e podia já ter enveredado por outros caminhos.
Mais: tomei consciência de que tenho vivido a vida num confronto entre lamentação e ansiedade/impaciência, sempre a correr para a frente. Tanta coisa me passou ao lado! Tanta coisa que precipitei e por isso não correu bem! Que sofreguidão! Não apreciei grande parte da minha vida!
É incrível como às vezes uma série de pequenas circunstâncias conseguem confluir no tempo e no espaço para produzir um determinado efeito na nossa vida, no momento em que tinha que ser, no momento em que parecia que se sabia que produziria o efeito necessário. Foi isso que me aconteceu nas últimas semanas. Um conjunto de pequenas e grandes coisas estalaram na minha cara como uma bofetada que se dá para acalmar um estado de histeria. Uma delas foi ter «perdido» uma pessoa por ter reagido com sofreguidão e agressividade a uma situação. Fui impulsiva, exigente, agressiva, irónica. Ok, fui humana, é verdade, e errar é humano, e foi por isso que depois pedi desculpa e agora estou a assumir as consequências. Mas a verdade é que, mais uma vez na minha vida, estraguei tudo. Tomei consciência que já estraguei muita coisa na minha vida e muitos relacionamentos, por ser intolerante, impaciente, radical, exigente, intempestiva... Tenho sido muito mais responsável do que aquilo que pensava.
Serão vocês, que me lêem, capazes de imaginar, que só agora aos trinta e tal é que percebi e aprendi que cada pessoa é um mundo, que cada pessoa tem o seu ritmo (de digerir; de dar; de receber; de estar; de....), que cada pessoa tem as suas razões e perspectivas, os seus medos e ansiedades?! É incrível, não é? É nestes momentos que eu comparo mesmo a adolescência a esta faixa dos trinta; parece que voltámos à crise existencial.

Pois eu parei. Parei para pensar e sentir o que tenho feito, o que tenho dito, o que me têm dito. Parei para pedir desculpas. Parei para fazer mais pelos outros e por mim. Até pelos animais! Parei para perceber como é que recebemos na mesma medida em que damos, mesmo quando achamos que estamos a fazer tudo bem. Parei para perceber que não sei receber; simplesmente receber aquilo que me querem dar, sem condições. Parei para pensar que não sei dar, porque também só devemos dar até certo ponto (até para dar temos que respeitar os outros). Parei para perceber que o tempo é fundamental em tudo na vida. O tempo amadurece as coisas, revela tudo. Parei para perceber que o amor não nasce em 24 horas, constroi-se, e para tal é necessário paciência, tolerância, persistência, erros e perdão, conhecimento. Temos tendência a desistir logo na paixão, sem termos sequer construído qualquer coisa entretanto. E às vezes parar não é desistir, é simplesmente deixar que algumas coisas sigam um curso natural e próprio, deixando o tempo revesti-las de... daquilo que tudo e todos na vida necessitam para perdurarem.

Errar é humano, e dar uma segunda oportunidade também. E se voltarmos a errar, devemos continuar em frente, porque não podemos desistir só porque por momentos nos desviámos um pouco do caminho. Só devemos desistir depois de termos plena consciência de que fizémos tudo ao nosso alcance.

Termino com uma frase que um amigo meu me enviou como mensagem de Natal: «Só um coração aberto recebe amor; só uma mente aberta recebe sabedoria; só mãos abertas recebem presentes...»

Ter coragem não é não ter medo; é ter medo e mesmo assim ir lá. É enfrentar medos, os nossos e os dos outros, e não desistir antes de tempo. Ter coragem é seguir em frente mesmo se as pernas tremem, se não temos a certeza, se a ansiedade não desapareceu, e gerirmos tudo isso. O próprio caminho que caminhamos para alcançar um fim pode dar-nos muita coisa, e não só o fim em si. O próprio percurso pode ser interessante. Não se vive só pelos fins, mas também pelos caminhos que percorremos. Li outro dia que «as circunstâncias não fazem as pessoas, mas revelam-nas».

Às vezes levamos muito tempo para perceber coisas tão simples.
publicado por 30girl às 19:43

O blog da segunda adolescência.
mais sobre mim
Janeiro 2004
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30
31


pesquisar
 
subscrever feeds
blogs SAPO