Coisas de trintona...

Março 20 2004
A Crystal enviou-me a simples e maravilhosa história que se segue a propósito do artigo «pessoas barulhentas». Publico-a (com a devida autorização), sem mais comentários, uma vez que só por si é uma reflexão.


«SONS DO SILÊNCIO

Um rei mandou seu filho estudar no templo de um grande mestre com o objectivo de prepará-lo para ser uma grande pessoa.

Quando o príncipe chegou ao templo, o mestre o mandou sozinho para uma floresta. Ele deveria voltar um ano depois, com a tarefa de descrever todos os sons da floresta.

Quando o príncipe retornou ao templo, após um ano, o mestre lhe pediu para descrever todos os sons que conseguira ouvir. Então disse o príncipe: "Mestre, pude ouvir o canto dos pássaros, o barulho das folhas, o alvoroço dos beija-flores, a brisa batendo na grama, o zumbido das abelhas, o barulho do vento cortando os céus..."

E ao terminar o seu relato, o mestre pediu que o príncipe retornasse a floresta, para ouvir tudo o mais que fosse possível. Apesar de intrigado, o príncipe obedeceu a ordem do mestre, pensando: "Não entendo, eu já distingui todos os sons da floresta..."

Por dias e noites ficou sozinho ouvindo, ouvindo, ouvindo... mas não conseguiu distinguir nada de novo além daquilo que havia dito ao mestre.

Porém, certa manhã, começou a distinguir sons vagos, diferentes de tudo o que ouvira antes. E quanto mais prestava atenção, mais claros os sons se tornavam. Uma sensação de encantamento tomou conta do rapaz. Pensou: "Esses devem ser os sons que o mestre queria que eu ouvisse..."

E sem pressa, ficou ali ouvindo e ouvindo, pacientemente. Queria ter certeza de que estava no caminho certo. Quando retornou ao templo, o mestre lhe perguntou o que mais conseguira ouvir. Paciente e respeitosamente o príncipe disse: "Mestre, quando prestei atenção pude ouvir o inaudível som das flores se abrindo, o som do sol nascendo e aquecendo a terra e da grama bebendo o orvalho da noite...

O mestre sorrindo, acenou com a cabeça em sinal de aprovação, e disse:

"Ouvir o inaudível é ter a calma necessária para se tornar uma grande pessoa. Apenas quando se aprende a ouvir o coração das pessoas, seus sentimentos mudos, seus medos não confessados e suas queixas silenciosas, uma pessoa pode inspirar confiança ao seu redor; entender o que está errado e atender as reais necessidades de cada um. A morte do espírito começa quando as pessoas ouvem apenas as palavras pronunciadas pela boca, sem se atentarem no que vai no interior das pessoas para ouvir os seus sentimentos, desejos e opiniões reais. É preciso, portanto, ouvir o lado inaudível das coisas, o lado não
mensurado, mas que tem o seu valor, pois é o lado mais importante do ser humano...».
publicado por 30girl às 15:10

Março 19 2004
Quando o primeiro dos nossos amigos faz trinta anos, lembramo-nos pela primeira vez que estamos a chegar lá. Na maior parte das vezes no entanto, é apenas um assomo de consciência rapidamente afastado. Depois, ou porque vamos ser os próximos ou porque já são vários os amigos a ter ultrapassado a idade em que oficialmente deixamos de ser jovens, começamos finalmente a pensar no assunto... e frequentemente, há um choque, um não aceitar de uma realidade inevitável, que muitas vezes nos traz crises dos trinta ou medo de envelhecer.

Embora socialmente as convenções e pressões não sejam tão asfixiantes para um homem solteiro que chega aos trinta, tal vantagem é apenas aparente. Dentro de cada um de nós, há uma imagem estereotipada daquilo que um homem másculo deve ser e de algum modo, sentimos o tapete a fugir debaixo dos pés.

Ainda conseguirei sair à noite e aguentar até às 6 a dançar? Quando ela me perguntar a idade eu disser trinta e... vou assustá-la? Vão chamar-me cota e querer antes os rapazes mais novos? Ainda serei sexualmente tão capaz? Estas são perguntas frequentes e suficientemente deprimentes para muitos homens que se aproximam, ou passaram recentemente, a barreira emocional dos trinta.

Honestamente e tendo já passado e sobrevivido com uma sanidade mental razoavelmente aceitável (bem, pior do que era não fiquei, mas reconheço que seria difícil) essa data, asseguro que não há respostas únicas a estas questões. Certo que por si só, o passar daquela data não muda absolutamente nada. A não ser no que vai dentro das nossas cabeças.

Alguns amigos deixaram-se de tal modo enredar nestes medos paralisantes que, na prática, acabaram por tornar realidade alguns dos seus receios. Pessoas outrora razoavelmente seguras de si, começaram a sentir-se inseguras, especialmente quanto à imagem que os outros detinham delas e deixaram com isso de sair tão amiúde... uma coisa leva a outra e tenho efectivamente amigos trintões deprimidos e com uma vida sentimental vazia, que há 6 ou 7 anos atrás nada fazia prever.

Outros, aceitaram bastante bem o facto e houve ainda um outro grupo -no qual me incluo- que nem deu por nada, não se dando conta de nenhuma mudança que fosse necessário aceitar ou que carecesse de ajustes à nossa vida.

Essencialmente, questões culturais, de estabilidade emocional ou de auto-confiança poderão estar por trás de todas estas reacções. Ou então nenhuma delas! Não sei, há muito que perdi as certezas absolutas. Mas o que sei é que o envelhecer, no sentido de acumular um dia em cima do outro, é uma coisa bela, embora frequentemente desprezada por uma sociedade obcecada com o corpo e a juventude.

Há mudanças físicas, que vão ocorrendo ao longo da vida, mas convenhamos, aos trinta estamos uns putos ainda. Faço coisas no ginásio que putos bem mais novos ainda têm que pedalar muito para conseguir. Se já não tenho paciência para demasiadas infantilidades? Ok, é verdade, mas o meu público alvo (feminino, claro) também já não está em idade de as ter. E de resto, ainda gosto dos desenhos animados, saio à noite mais condicionado pelo trabalho que por qualquer outro motivo e se já acho a Kapital cheia de putos, tenho o BBC, ou muitos outros sítios.

Não, de facto não lamento o passar dos anos. Saboreio com prazer as coisas novas que o acumular dos dias me vai trazendo, não mudando os meus gostos, comportamentos ou forma de vestir em função do padrão que o meu avô julga próprio para um homem da minha idade. Antes faço o que sinto e comporto-me em coerência com essa premissa.
publicado por 30girl às 22:33

Março 18 2004
Caros amigos,

vamos ter uma surpresa no meu blog. Convidei um 30guy para, de vez em quando, vir aqui falar um pouco sobre a experiência masculina nesta aventura que é a adolescência tardia.

Supõe-se que um blog seja um diário online (ou algo do género) pelo que vocês poderão questionar se isso não vai desvirtuar o meu blog. Ora bem, também pensei sobre isso, e acho que não. Penso que já terão percebido pelo que escrevo, que um dos temas que faz parte do meu «acne tardio» é o das relações conturbadas com homens, pelo que é para mim importante tentar compreendê-los melhor. É essa uma das razões pelas quais 30guy virá aqui de vez em quando.

Outra razão é que não são só mulheres que me lêem. Assim sendo, havendo reflexões vindas de um «trintão» poder-se-á gerar mais interacção no meu blog (assim espero).

Finalmente, devo acrescentar que eu serei sempre a principal autora e quem publicará aqui com mais frequência, obviamente.
publicado por 30girl às 00:29

Março 13 2004
Queria deixar uma reflexão a propósito do terrorismo.

Lembro-me de em miúda ter lido «O Diário de Anne Frank» e de na altura, apesar de saber que o Holocausto tinha sido, infelizmente, uma realidade, parecia-me muito distante o facto de alguma vez eu poder vir a sentir o medo da perseguição. Sentir terror. É curioso, sem ter qualquer piada, que um dos meus sonhos recorrentes tem a ver com perseguição de nazis (alguém quer interpretar?!). Mais tarde vi «A lista de Schindler». Choro sempre quando vejo o raio do filme!

Quando chorei no 11 de Setembro, a olhar para aquelas pessoas que saltavam das Torres, -tal como ontem, ao ver a expressão nos rostos dos feridos em Madrid-, percebi como as coisas não estão tão distantes de nós quanto pensamos. A sociedade mediática encarrega-se, é verdade, de nos fazer chegar as coisas (só não o fez em relação ao massacre do Ruanda com o mesmo impacto, embora o número de mortos tenha ultrapassado o do 11 de Setembro em centenas e centenas por cento. E nem falo no resto do mundo.). Depois de ontem, acredito muito sinceramente que também nós, portugueses, deixámos de estar aqui escondidos e que corremos sérios riscos. Muito mais com um Euro2004 e um Rock’in’Rio à porta.

Mas a verdadeira razão porque quis escrever sobre este assunto, foi porque uma questão «psicofilosófica» me deu de chofre. Conduzia o meu carro e pensava no horror de Madrid e nos riscos, quando um CD começou a tocar no leitor. Era uma música cubana e aquele ritmo fez-me saltar de imediato das minhas preocupações sobre o 11 de Março, para a alegria de cantar e tentar dançar aquele som. E pensei: «Como é que as dimensões individual e social da existência humana conseguem estar tão separadas? Como conseguimos horrorizar-nos com um ataque terrorista e no minuto seguinte estarmos muito preocupados com a mais banal questão da nossa existência?». Reparem, esta é uma pergunta meramente retórica, porque conheço a explicação da Psicologia. E nem sequer estou a querer dizer que sinto vergonha pelo que aconteceu porque sei que é um acto espontâneo. Mas a questão que no fundo quero colocar é a seguinte: nós, os anónimos da «sociedade civil», temos capacidade para nos preservarmos, ou para sequer lidarmos com estas ameaças e com esta incerteza de não sabermos se nos calhará uma surpresa destas, sem falarmos em número de vítimas, mas conseguirmos distinguir dentre elas o «Manel», a «Maria», o «António»?

Saberemos lidar com isto? O melhor é nem pensar e continuar como até aqui?

Acho que não. Penso que quanto mais o horror está próximo de nós ou dos que nos estão próximos, mais capacidade temos de mudar por dentro sem que se note por fora. Passamos a valorizar certas coisas que antes nem tínhamos em consideração ou nem sabíamos que existiam. Ontem tive uma dessas situações. Estava no cinema com 2 amigos; 5 minutos depois do filme começar a minha amiga sentiu-se mal, saiu, desmaiou, ficou dormente, foi para o hospital. Ficámos lá até às tantas da manhã. Ela tinha tido um acidente no dia anterior e a batida provocou uma reacção na cervical que acabou por influenciar os nervos das mãos e dos braços. No tempo de espera pensei nela, nas coisas que já vivi com ela (melhores e piores), nas coisas que estava a viver ali, no que tinha acontecido em Madrid, voltava a pensar nela, reconfortava-a, falava e ria com o outro meu amigo... enfim, um turbilhão de sensações. E de tudo aquilo só há uma palavra e a correspondente sensação que me ficou mais viva: o carinho, os mimos, a sensação de conforto interior de que falava Crystal. Apesar do contexto, o que guardo é a sensação de carinho.

E andamos às vezes por aí a agredir-nos (nós, pessoas) por tudo e por nada, por uma palavra que não nos agrada, ou por uma convicção político-religiosa...

Lembrei-me de uma cena de um desses filmes sobre o Vietname (ou seria sobre a II Guerra Mundial?), em que um soldado dizia que a dimensão do horror da guerra estava na proximidade com a sua vítima: disparar para longe e perceber que estava a morrer gente era incomparável ao horror de olhar nos olhos o inimigo e, aí sim, provocar-lhe a morte, perante a expressão do medo de morrer. O medo de morrer só se expressa pela proximidade?

Acho que já estou a divagar. Isto faz-vos algum sentido? Nem sei se terei conseguido expressar o que queria dizer. Nem sei bem se era isto que eu queria dizer. Nem sei bem se as coisas são comparáveis ou sequer associáveis.
publicado por 30girl às 00:15

Março 09 2004
Estava eu com o meu sentido de observação apurado, quando reparei que existem muitas pessoas barulhentas na nossa vida. Lembrei-me então que seria interessante escrever sobre o assunto.
Quando falo de pessoas barulhentas refiro-me àquelas que efectivamente fazem barulho, como àquelas que emitem demasiado ruído na nossa vida. O que são para mim, então, pessoas barulhentas, em ambos os sentidos?

1) Aquelas que falam muito alto.
2) Aquelas que falam demais, pelos cotovelos, que não se calam, que não sabem ouvir.
3) Aquelas que logo pela manhã começam a falar de tudo e mais alguma coisa. Eu, de manhã, depois do «Bom dia!» gosto de ficar em silêncio até depois de beber o meu café.
4) Aquelas que fazem barulho a comer, a bocejar (até a bocejar falam!), a lavar as mãos, a fechar uma porta ou uma gaveta, a ler ou a escrever, a fazer step (até no desporto temos que ser «leves», não bater os pés), enfim, em mil e uma aparentemente simples actividades do dia-a-dia.
5) Aquelas que estão sempre a fazer críticas por tudo e por nada, a tudo e a todos.
6) Aquelas que nos falam sempre com ironia: «Então como está a minha gordinha?», ou, «Então e quando te casas?».
7) Aquelas que invadem o nosso espaço interior com os «devias fazer assim...», ou, «tens que ser mais...».
8) Aquelas que ouvem rádio ou televisão sempre com o som muito alto e depois falam aos gritos.
9) Aquelas que ao invés de se dirigirem junto de nós para falarem, gritam lá de onde estiverem.

Enfim, de certo lembrar-me-ei de outros casos. Estas pessoas, para mim, têm dificuldade em estar em silêncio, e o silêncio é TÃO importante nas nossas vidas! É verdade que o silêncio assusta muita gente em determinadas (ou todas) circunstâncias. Mas no silêncio também se ouve e aprende muito.
É claro que também me fazem confusão as pessoas que estão permanentemente no silêncio, que não se abrem para nada, que não são capazes de dar (ou não querem dar) uma opinião, que raramente acendem luzes (literal e metaforicamente falando), que nunca cantam ou ouvem música, que não têm actividades de lazer. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

Tecerei mais considerações mais tarde, agora não tenho mais tempo.
Aguardo alguns comentários.
___________________

Obrigada pelos vossos comentários. Por causa destes, não podia deixar de vir aqui acrescentar outro tipo de pessoas barulhentas:

10) Aquelas que passam o tempo a agredir-nos, e aqui no sentido mais lato de agressão: ou porque o que vestimos nunca lhes agrada; ou porque temos um tique que lhes faz confusão (quem não tem?) e ao invés de nos ajudarem tornam-se opressores até dos nossos actos reflexivos e involuntários; que nos falam num tom paternalista; que estão absolutamente seguros de que nos conhecem como a palma da sua mão e por isso nem ouvem mais nada; já não têm a capacidade de SIMPLESMENTE esboçar um sorriso sincero como reacção a algo que dissemos ou fizemos; que perderam a capacidade de serem espontâneos e, por isso, castram a nossa espontaneidade... Podia ficar aqui muito tempo a escrever sobre isto. A questão final é: como conseguimos, podemos, estar com alguém em cuja presença perdemos a espontaneidade da nossa identidade?
publicado por 30girl às 15:00

Março 08 2004
Remover os 12 bloqueios:

1) Livrar-se da reprovação - «Na medida em que responsabiliza outra pessoa pelo que sente, anula o poder que tem de mudar a sua vida» (p. 233). Passe a assumir-se como responsável pelo que acontece na sua vida e comece a criar as mudanças que deseja promover. Não dependa tanto dos outros e do negativismo da reprovação.

2) Livrar-se da depressão – Passe a valorizar mais o que tem. Sem se apreciar o que já se tem, não se pode lutar pelo que se quer, sem obsessão e sem felicidade. Comece a olhar noutras direccões.

3) Livrar-se da ansiedade - «Se não correr riscos, não consegue crescer e a vida torna-se monótona» (p. 242). Mais uma vez: haverá sempre incerteza nas nossas vidas.

4) Livrar-se da indiferença – Não se acomode; há muito mais nesta vida do que aquilo que pensamos.

5) Livrar-se dos juízos de valor – Se se tornar demasiado criterioso, sente-se muito mais frustrado porque quererá controlar e mudar tudo, mesmo aquilo que não domina. Tudo tem um lado bom. Ao julgarmos os outros estamos também a julgar-nos a nós mesmos, e «não é correcto impor às outras pessoas o que pensamos» (p. 252).

6) Livrar-se da indecisão - «É melhor falhar do que não tentar» (p. 254), e a incerteza é constante.

7) Livrar-se do adiamento - «Não pense, faça. Faça já» (p. 260)

8) Livrar-se do perfeccionismo – As expectativas demasiado altas criam frustrações maiores.

9) Livrar-se do ressentimento – O ressentimento faz-nos concentrar no que é negativo e nem reparamos no que é positivo.

10) Livrar-se da autopiedade – Avance! Não fique a lamentar-se!

11) Livrar-se da confusão – Aprenda a lidar com os problemas de forma a não exigir respostas imediatas e a não fazer tempestades em copos de água. Quando dramatizamos, as coisas parecem sempre piores do que aquilo que realmente são. Transforme desafios em oportunidades.

12) Livrar-se da culpa – Todos nós cometemos erros e é saudável reconhecer quando isso acontece, mas depois disso há que seguir em frente.
publicado por 30girl às 15:13

Março 05 2004
Quando mencionei este livro como um dos que mudou a minha vida em algum aspecto, disse que voltaria a falar dele. O título deste livro, quando o encontrei, suscitou-me desde logo a curiosidade por depreciativamente pensar que se trataria daqueles livros que nos dão receitas de actos calculistas e engendrados para alcançar determinados objectivos ou bens. Mas não. É um livro que se debruça sobre nós mesmos como o nosso próprio obstáculo, nomeadamente através dos nossos medos e as nossas atitudes e posturas perante a vida e perante nós mesmos. O que vou deixar-vos é apenas uma síntese de duas das partes mais interessantes do livro, como tópicos para reflexão. Não deixo grandes explicações; deixo a primeira reflexão para que possam adquirir o livro e consumi-lo à vossa vontade.

Gray considera que existem 12 bloqueios principais à concretização dos nossos desejos e objectivos e que existem 12 formas de os removermos. Os bloqueios, ou «12 maneiras de nos desligarmos do sentir das nossas verdadeiras vontades», são:

1) A vingança - Proporciona alívio e por vezes sentimento de justiça, mas esgota-nos em vários sentidos.

2) A fixação - As fixações prendem-nos muitas vezes a coisas/pessoas/momentos obsoletos e fecham-nos o coração a tantas outras coisas que existem por esse mundo fora (e até por esse mundo dentro... de nós).

3) As dúvidas - Não devemos ter dúvidas, mas sim incertezas. A dúvida leva-nos à inacção, não avançamos por medo, indecisão; a incerteza não nos impede de avançar e até nos deixa abertos a outras perspectivas. Dúvida e incerteza não são sinónimos. Diz Gray: «Grande parte da ansiedade está em acreditarmos no medo em vez de nos lembrarmos de que realmente nada sabemos» (p. 212), e de que a vida é sempre uma incerteza e que não podemos deixar de a viver só por causa disso. Haverá sempre incerteza.

4) A racionalização - Distanciamo-nos do nosso desejo porque nos limitamos a pensá-lo e não a senti-lo também. Colocamos de lado a paixão pelo que queremos e fazemos.

5) O desafio - Há que desafiar o desafio. Ou seja: «Às vezes queremos fazer coisas apenas para desafiar alguém ou provar que esse alguém está errado» (p. 216). Para quê perder tanto tempo e energia? Porque nos fazemos depender do poder de outros? Porque não respondemos apenas ao nosso próprio poder?

6) A submissão - «Quando estamos desapontados, em vez de nos rendermos à aceitação do que aconteceu, desistimos e submetemo-nos» (p. 217). Rendição não é sinónimo de submissão ou fraqueza; é apenas desistir da resistência ao inevitável, aos factos.

7) Evitar, evitar... - Tememos o fracasso e por isso protelamos os compromissos, e substituimos as nossas vontades principais por vontades secundárias.

8) As defesas próprias - É a «desculpativite» (arranjamos sempre uma desculpa para tudo), o «eu sou assim e quem não gostar...», são os «-inhos», a crítica permanente aos outros, e tantas outras coisas.

9) A rejeição - «Se rejeita o que precisa, tende a querer aquilo de que não carece ou não pode ter» (p. 223).

10) Reter o amor - Podemos fazer ajustamentos conforme a experiência passada, mas porquê deixar de amar? Ou melhor: porquê fingir que já não queremos saber mais do amor?

11) A reacção - Há que responder em vez de reagir. Ser activo em vez de reactivo. «Sustente a força, poder e posição, não iguale a energia à dos outros».

12) Fazer o sacrifício do amor - Se não estamos bem, com todas as nossas dimensões satisfeitas (as dimensões que constituem a nossa estrutura enquanto pessoa), não tem sentido fazer sacrifícios em nome do amor. Chegaremos a um ponto em que nos esvaziamos ou ficamos doentes.


Cenas dos próximos capítulos: como remover estes 12 bloqueios?
publicado por 30girl às 00:21

O blog da segunda adolescência.
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