Coisas de trintona...

Abril 16 2004
Pois é, back from outter space. Peço desculpa pela minha longa ausência, mas tenho andado muito ocupada. Trabalho e namorado novo. Não, não leram mal, namorado novo. Right. In love again.

E de repente, para além de ter menos tempo para estar aqui na internet, dei comigo também a pensar sobre o que é que devo escrever. Sabem porquê? Porque tenho agora um relacionamento tão bom e tão calmo que me sinto como os poetas sofredores que escrevem as suas melhores obras mergulhados na imensa dor de amor. Agora está tudo bem, «como deve ser» e falta-me a inspiração. Não é que não me apeteça falar sobre o assunto, da felicidade que sinto, dizer como ele me trata com tanto carinho, partilhar este sentimento tão bom. Tanto pedi um relacionamento calmo com um homem «normal» (ou seja, sem mistérios, sem fachadas de sedução, sem atitudes e posturas que nos obrigam a tanta angústia e dissecação intelectual), que agora que o tenho (felizmente!) falta-me a inspiração para escrever.

Cheguei a questionar-me se não teria iniciado este blog para extravasar as minhas angústias, mas depois pensei que o que o meu actual estado de paixão (nem é bem, embora ela exista, porque é tudo muito calmo e harmonioso, não apenas aquele calor da paixão efémera), pensei que esse meu estado, dizia eu, também faz parte do acne tardio. Mas neste momento só me ocorre escrever o seguinte sobre isso: este é um relacionamento diferente de todos os outros, que foram conturbados desde o primeiro momento. Talvez por isso me fascinassem tanto. Este começou de forma muito mais calma, mas sinto-me tão bem! Esta pessoa é também diferente das anteriores: calma, serena, discreta.

Levei com esta «pedrada» na cabeça e ainda estou a reflectir sobre estas diferenças. Terá começado em mim, esta diferença? Será que fui eu que realmente mudei e logo as coisas começaram a mudar à minha volta? É bem verdade que tenho uma nova perspectiva da vida e abordo (quase) tudo e todos de forma diferente, mas será que é mesmo verdade que o tipo de energia que mantemos é aquele que atraímos?
publicado por 30girl às 01:55

Abril 04 2004
As linhas perfeitas do seu rosto enquadrando dois olhos de um verde cristalino numa moldura de cabelo louro, contrastavam com a tez bronzeada da sua pele, mas contibuiam para um charme de cortar a respiração. Era duro ver a tristeza no seu olhar. Demasiado duro. Mas era agora muito tarde. Na verdade, toda esta tristeza começara mais de um ano antes com uma alegria imensa.

O dia em que se conheceram fora perfeito e quando os seus olhares se cruzaram a primeira vez, já perto da meia-noite, foi como que o fantástico corolário de meses de conversa arrebatadora na net, de horas perdidas a inspirar as linhas um do outro com a sofreguidão de quem emerge de um mergulho.

Aconteceu por acaso; o nick dele chamou-lhe a atenção e ela disse Olá. O que sucedeu depois dificilmente se converte em palavras. Foi química pura, foi atracção animal, foi o que se lhe quiser chamar porque os nomes pouco importam quando a razão deixa de comandar.

No início apenas queriam saber mais um do outro. Conhecer os gostos, descobrir os hábitos, partilhar locais. No entanto, a forma espantosa como tudo encaixava era por demais evidente e não os deixou indiferentes. Criou-se uma cumplicidade grande, brincavam com o seu dia a dia, contavm piadas e divertiam-se imenso. Aos poucos as suas conversas passaram a ser indispensáveis e as ausências, angustiantes. A paixão chegava arrebatadora, como um furacão e cada linha a piscar no monitor incendiava ainda mais o desejo de estarem juntos.

As suas vidas exteriores estavam relegadas para segundo plano e os impedimentos familiares não os afastaram, nem o fez a sensatez.. As horas seguiam-se em centenas e depois milhares de linhas escritas, cada vez com mais intensidade.

Eventualmente alguém propôs que finalmente se encontrassem. Não foi imediatamente consensual. Para quem se conhece na net, um encontro cara a cara representa um perigoso ruir do muro e baixar das defesas. Deve ser pensado. Mas a enfatuation era demasiado grande e acertaram um dia.

O dia em que se conheceram foi perfeito e quando os seus olhares se cruzaram a primeira vez, já perto da meia-noite, sentiram a paixão dominar os acontecimentos e esqueceram tudo o resto. Acabaram essa noite tarde, muito tarde, no carro dela a conversar. Havia barreiras e impedimentos, mas valia a pena lutar por todos aqueles sentimentos em ebulição.

Foi na verdade nesse dia que começou a delinear-se o fim. Era-lhes agora impossível estarem afastados. No entanto, uma relação pessoal é mais desgastante e menos «limpinha» que um relacionamento virtual e acabou por não resistir. Demasiadas pressões e impedimentos acabaram por queimar demasiado depressa a lenha da paixão.

Acabou um dia, ao jantar, no romântico momento que medeia duas colheres de toucinho do céu . As linhas rarearam daí para a frente e naquele almoço, na última vez que estiveram juntos, ele observava a tisteza no seu olhar e recordava como tudo começara... há pouco mais de um ano...
publicado por 30girl às 16:17

O blog da segunda adolescência.
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