Coisas de trintona...

Junho 21 2004
Estou contente com a vitória da selecção nacional de futebol frente à selecção de Espanha! Principalmente porque se viu um bom jogo, porque foi um momento desportivo muito interessante pela maneira como ambas as equipas jogaram, em especial a nossa selecção.

Pareceria banal dizer isto, não fosse eu uma daquelas pessoas que detesta futebol. Não pelo desporto em si, mas por tudo o que o rodeia. E principalmente porque parece que neste país não há mais desportos e não há mais desportistas que dão grande nome a Portugal «lá fora». Existem tantos campeões internacionais, mundiais, olímpicos, de nacionalidade portuguesa e nem sabemos quem eles são.

Não estou a menosprezar a selecção nacional de futebol. Estou feliz por eles. E compreendo o fenómeno de massas. Só estou a querer dizer que sinto comoção e pena em simultâneo quando percorro as ruas e vejo, por todo o lado, bandeiras portuguesas. Nunca tinha visto nada assim! Chega a emocionar! Mas também fico triste que só coloquemos bandeiras pos causa do futebol. Sempre tivémos tantos outros motivos para o fazer e só o futebol é que nos move.

Porque não colocamos bandeiras pelos outros atletas portugueses que tanto nos honram? Porque não o fizémos pelo Carlos Lopes? Pela Rosa Mota? Pelo campeão mundial de Judo? Pelos nossos bons cientistas por esse mundo fora e em Portugal? Pelos nossos médicos e enfermeiros da AMI? Pela Mariza que foi considerada a melhor artista europeia? Pelo Hugo Marmelada que foi considerado, aos 16 anos, o melhor bailarino de dance street pela MTV? Pelos nossos militares em Timor ou no Iraque? Por Rui Nabeiro que tantas escolas construiu já em Timor? Pelo facto de podermos ter um português como presidente do parlamento europeu?

Podia ficar aqui a escrever linhas e linhas de exemplos, alguns dos quais prestigiam mais o nome do nosso país que a selecção nacional de futebol. Mas pronto, não estão associados ao fenómeno de massas; ao ópio dos portugueses.

Vejamos então a coisa pelo lado positivo: há que começar por algum lado e esperemos que o acto, como manifesto de uma maneira de estar, volte a repetir-se.
publicado por 30girl às 23:59

O blog da segunda adolescência.
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