Coisas de trintona...

Abril 04 2004
As linhas perfeitas do seu rosto enquadrando dois olhos de um verde cristalino numa moldura de cabelo louro, contrastavam com a tez bronzeada da sua pele, mas contibuiam para um charme de cortar a respiração. Era duro ver a tristeza no seu olhar. Demasiado duro. Mas era agora muito tarde. Na verdade, toda esta tristeza começara mais de um ano antes com uma alegria imensa.

O dia em que se conheceram fora perfeito e quando os seus olhares se cruzaram a primeira vez, já perto da meia-noite, foi como que o fantástico corolário de meses de conversa arrebatadora na net, de horas perdidas a inspirar as linhas um do outro com a sofreguidão de quem emerge de um mergulho.

Aconteceu por acaso; o nick dele chamou-lhe a atenção e ela disse Olá. O que sucedeu depois dificilmente se converte em palavras. Foi química pura, foi atracção animal, foi o que se lhe quiser chamar porque os nomes pouco importam quando a razão deixa de comandar.

No início apenas queriam saber mais um do outro. Conhecer os gostos, descobrir os hábitos, partilhar locais. No entanto, a forma espantosa como tudo encaixava era por demais evidente e não os deixou indiferentes. Criou-se uma cumplicidade grande, brincavam com o seu dia a dia, contavm piadas e divertiam-se imenso. Aos poucos as suas conversas passaram a ser indispensáveis e as ausências, angustiantes. A paixão chegava arrebatadora, como um furacão e cada linha a piscar no monitor incendiava ainda mais o desejo de estarem juntos.

As suas vidas exteriores estavam relegadas para segundo plano e os impedimentos familiares não os afastaram, nem o fez a sensatez.. As horas seguiam-se em centenas e depois milhares de linhas escritas, cada vez com mais intensidade.

Eventualmente alguém propôs que finalmente se encontrassem. Não foi imediatamente consensual. Para quem se conhece na net, um encontro cara a cara representa um perigoso ruir do muro e baixar das defesas. Deve ser pensado. Mas a enfatuation era demasiado grande e acertaram um dia.

O dia em que se conheceram foi perfeito e quando os seus olhares se cruzaram a primeira vez, já perto da meia-noite, sentiram a paixão dominar os acontecimentos e esqueceram tudo o resto. Acabaram essa noite tarde, muito tarde, no carro dela a conversar. Havia barreiras e impedimentos, mas valia a pena lutar por todos aqueles sentimentos em ebulição.

Foi na verdade nesse dia que começou a delinear-se o fim. Era-lhes agora impossível estarem afastados. No entanto, uma relação pessoal é mais desgastante e menos «limpinha» que um relacionamento virtual e acabou por não resistir. Demasiadas pressões e impedimentos acabaram por queimar demasiado depressa a lenha da paixão.

Acabou um dia, ao jantar, no romântico momento que medeia duas colheres de toucinho do céu . As linhas rarearam daí para a frente e naquele almoço, na última vez que estiveram juntos, ele observava a tisteza no seu olhar e recordava como tudo começara... há pouco mais de um ano...
publicado por 30girl às 16:17

Ttambém aqui gostava de deixar o meu testemunho e experiência pessoal. Já conheci muita gente na net porque em tempos vivi fora de portugal e tornou-se um hábito, se não mesmo um vicio, passar horas a falar num chat (e muitas vezes tb ao telefone). Já conheci pessoas fantásticas, algumas permaneceram na minha vida de uma forma ou outra mas de facto a maioria apenas esteve de passagem. Mesmo assim, acho que os poucos que permaneceram conseguem que eu considere o saldo das relações iniciadas virtualmente, sejam amizade ou outras, muito positivo! Não fossem 2 eles: o meu namorado e o outro já um grande e indispensável amigo. E concordo com o que a tinta permanente quando diz que o meio em que as pessoas se conhecem não importa, o que importa é depois passar esses conhecimentos virtuais para a nossa realidade do dia a dia e o confronto/comforto do cara a cara torna-se indispensável!
angel_innocent a 14 de Março de 2005 às 11:19

Bem, existe casos em que resulta e dura...pelo menos à 4 anos e só alguns meses é que foram virtuais (e continuo a querer que resulte como até agora)
Celt a 15 de Abril de 2004 às 18:21

Conheço muitas pessoas k se conheceram através da net,mas todas as k começaram um relacionamento ou tentaram começar um,não resultou.Apesar de poder existir uma quimica é sempre diferente o escrever e estar frente a frente com outra pessoa.Concordo com a 30girl.Pode-se construir uma amizade mas mais k isso é dificil.
Afrodite a 15 de Abril de 2004 às 18:09

Acho que o meio como as pessoas se conhecem não importa. Alias a net, a meu ver, facilita o conhecimento profundo. Mas tal como 30girl, tambem acho que a presença fisica é fundamental.
De qq maneira é sempre triste qd uma historia de amor acaba.
trintapermanente a 5 de Abril de 2004 às 23:13

Sei o que isso é. Já passei por isso, há muito tempo atrás, num momento da minha vida que o justificava. Em que só me tinha sentido encerrar-me no meu computador até altas horas da manhã e o nosso cérebro fabrica tudo. Até ao dia em que alguém me disse que eu devia conviver com pessoas de carne e osso, e acima de tudo com aqueles que me eram chegados, que gostavam de mim. Porque nenhum relacionamento se faz sem isso, sem olhar nos olhos.
30girl a 4 de Abril de 2004 às 23:19

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