Coisas de trintona...

Março 19 2004
Quando o primeiro dos nossos amigos faz trinta anos, lembramo-nos pela primeira vez que estamos a chegar lá. Na maior parte das vezes no entanto, é apenas um assomo de consciência rapidamente afastado. Depois, ou porque vamos ser os próximos ou porque já são vários os amigos a ter ultrapassado a idade em que oficialmente deixamos de ser jovens, começamos finalmente a pensar no assunto... e frequentemente, há um choque, um não aceitar de uma realidade inevitável, que muitas vezes nos traz crises dos trinta ou medo de envelhecer.

Embora socialmente as convenções e pressões não sejam tão asfixiantes para um homem solteiro que chega aos trinta, tal vantagem é apenas aparente. Dentro de cada um de nós, há uma imagem estereotipada daquilo que um homem másculo deve ser e de algum modo, sentimos o tapete a fugir debaixo dos pés.

Ainda conseguirei sair à noite e aguentar até às 6 a dançar? Quando ela me perguntar a idade eu disser trinta e... vou assustá-la? Vão chamar-me cota e querer antes os rapazes mais novos? Ainda serei sexualmente tão capaz? Estas são perguntas frequentes e suficientemente deprimentes para muitos homens que se aproximam, ou passaram recentemente, a barreira emocional dos trinta.

Honestamente e tendo já passado e sobrevivido com uma sanidade mental razoavelmente aceitável (bem, pior do que era não fiquei, mas reconheço que seria difícil) essa data, asseguro que não há respostas únicas a estas questões. Certo que por si só, o passar daquela data não muda absolutamente nada. A não ser no que vai dentro das nossas cabeças.

Alguns amigos deixaram-se de tal modo enredar nestes medos paralisantes que, na prática, acabaram por tornar realidade alguns dos seus receios. Pessoas outrora razoavelmente seguras de si, começaram a sentir-se inseguras, especialmente quanto à imagem que os outros detinham delas e deixaram com isso de sair tão amiúde... uma coisa leva a outra e tenho efectivamente amigos trintões deprimidos e com uma vida sentimental vazia, que há 6 ou 7 anos atrás nada fazia prever.

Outros, aceitaram bastante bem o facto e houve ainda um outro grupo -no qual me incluo- que nem deu por nada, não se dando conta de nenhuma mudança que fosse necessário aceitar ou que carecesse de ajustes à nossa vida.

Essencialmente, questões culturais, de estabilidade emocional ou de auto-confiança poderão estar por trás de todas estas reacções. Ou então nenhuma delas! Não sei, há muito que perdi as certezas absolutas. Mas o que sei é que o envelhecer, no sentido de acumular um dia em cima do outro, é uma coisa bela, embora frequentemente desprezada por uma sociedade obcecada com o corpo e a juventude.

Há mudanças físicas, que vão ocorrendo ao longo da vida, mas convenhamos, aos trinta estamos uns putos ainda. Faço coisas no ginásio que putos bem mais novos ainda têm que pedalar muito para conseguir. Se já não tenho paciência para demasiadas infantilidades? Ok, é verdade, mas o meu público alvo (feminino, claro) também já não está em idade de as ter. E de resto, ainda gosto dos desenhos animados, saio à noite mais condicionado pelo trabalho que por qualquer outro motivo e se já acho a Kapital cheia de putos, tenho o BBC, ou muitos outros sítios.

Não, de facto não lamento o passar dos anos. Saboreio com prazer as coisas novas que o acumular dos dias me vai trazendo, não mudando os meus gostos, comportamentos ou forma de vestir em função do padrão que o meu avô julga próprio para um homem da minha idade. Antes faço o que sinto e comporto-me em coerência com essa premissa.
publicado por 30girl às 22:33

Gostei muito de te ler! Confesso que ainda não cheguei aos 30 mas pouco falta. Não estou verdadeiramente preocupada com essa "etapa" e assino por baixo quando dizes que "...envelhecer, no sentido de acumular um dia em cima do outro, é uma coisa bela, embora frequentemente desprezada...". beijo
angel_innocent a 14 de Março de 2005 às 11:32

Julgava que os homens não tivessem estas "angustias". Aparece no meu blog, tenho umas considerações muito parecidas com as tuas.
E já agora experimenta ir ao "Estado Liquido" em Santos. Creio que vais gostar da "onda". Gostei de te ler...
trintapermanente a 29 de Março de 2004 às 19:59

Eu já passei dos trinta e dos quarentas e continuo a achar k a idade está na cabeça e não no B.I.Todas as idades tem o seu encanto só temos de encarar as diversas etapas com naturalidade.Continuo a sair,não para discos mas para bares com os meus amigos e faço kase td o k fazia qd mais jovem.A idade não me pesa e acho k ainda tenho muita coisa para fazer.Por isso aceitem a idade com naturalidade como um bem adquirido,tentem aprender as lições k a vida vai dando tanta as más como as boas,sejam felizes e façam os outros felizes.
Afrodite a 25 de Março de 2004 às 18:44

30guy, explica lá aqui às «trintonas» o que sente e como age um trintão quando está verdadeiramente apaixonado... Queremos saber! ;)
30girl a 24 de Março de 2004 às 22:53

O blog da segunda adolescência.
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