Coisas de trintona...

Março 09 2004
Estava eu com o meu sentido de observação apurado, quando reparei que existem muitas pessoas barulhentas na nossa vida. Lembrei-me então que seria interessante escrever sobre o assunto.
Quando falo de pessoas barulhentas refiro-me àquelas que efectivamente fazem barulho, como àquelas que emitem demasiado ruído na nossa vida. O que são para mim, então, pessoas barulhentas, em ambos os sentidos?

1) Aquelas que falam muito alto.
2) Aquelas que falam demais, pelos cotovelos, que não se calam, que não sabem ouvir.
3) Aquelas que logo pela manhã começam a falar de tudo e mais alguma coisa. Eu, de manhã, depois do «Bom dia!» gosto de ficar em silêncio até depois de beber o meu café.
4) Aquelas que fazem barulho a comer, a bocejar (até a bocejar falam!), a lavar as mãos, a fechar uma porta ou uma gaveta, a ler ou a escrever, a fazer step (até no desporto temos que ser «leves», não bater os pés), enfim, em mil e uma aparentemente simples actividades do dia-a-dia.
5) Aquelas que estão sempre a fazer críticas por tudo e por nada, a tudo e a todos.
6) Aquelas que nos falam sempre com ironia: «Então como está a minha gordinha?», ou, «Então e quando te casas?».
7) Aquelas que invadem o nosso espaço interior com os «devias fazer assim...», ou, «tens que ser mais...».
8) Aquelas que ouvem rádio ou televisão sempre com o som muito alto e depois falam aos gritos.
9) Aquelas que ao invés de se dirigirem junto de nós para falarem, gritam lá de onde estiverem.

Enfim, de certo lembrar-me-ei de outros casos. Estas pessoas, para mim, têm dificuldade em estar em silêncio, e o silêncio é TÃO importante nas nossas vidas! É verdade que o silêncio assusta muita gente em determinadas (ou todas) circunstâncias. Mas no silêncio também se ouve e aprende muito.
É claro que também me fazem confusão as pessoas que estão permanentemente no silêncio, que não se abrem para nada, que não são capazes de dar (ou não querem dar) uma opinião, que raramente acendem luzes (literal e metaforicamente falando), que nunca cantam ou ouvem música, que não têm actividades de lazer. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

Tecerei mais considerações mais tarde, agora não tenho mais tempo.
Aguardo alguns comentários.
___________________

Obrigada pelos vossos comentários. Por causa destes, não podia deixar de vir aqui acrescentar outro tipo de pessoas barulhentas:

10) Aquelas que passam o tempo a agredir-nos, e aqui no sentido mais lato de agressão: ou porque o que vestimos nunca lhes agrada; ou porque temos um tique que lhes faz confusão (quem não tem?) e ao invés de nos ajudarem tornam-se opressores até dos nossos actos reflexivos e involuntários; que nos falam num tom paternalista; que estão absolutamente seguros de que nos conhecem como a palma da sua mão e por isso nem ouvem mais nada; já não têm a capacidade de SIMPLESMENTE esboçar um sorriso sincero como reacção a algo que dissemos ou fizemos; que perderam a capacidade de serem espontâneos e, por isso, castram a nossa espontaneidade... Podia ficar aqui muito tempo a escrever sobre isto. A questão final é: como conseguimos, podemos, estar com alguém em cuja presença perdemos a espontaneidade da nossa identidade?
publicado por 30girl às 15:00

Crystal, compreendo muito bem o que queres dizer e concordo com o Paulo no facto de a empatia pelo silêncio também ser muito importante: aqueles momentos em que ficam ambos a ler um livro, a ver um filme, só um toque «fala»; ou o momento em que não precisamos dizer nada para que o outro perceba o que estamos a pensar e a sentir e há um momento breve de antecipação. Essa comunhão com o nosso interior é o que nos dá o conforto de que falavas, Crystal. Isto remete-me de novo para o meu artigo sobre «Viver a vida dos outros»: as pessoas muito barulhentas passam o tempo a viver a vida dos outros, em processo de ingerência, sufocando-nos, impondo-se de tal forma... E acredita que sei o quanto sentiste isso. Existe um prado à tua espera onde só se ouve o vento, as aves, a água a correr, as folhas das árvores, onde mais do que ouvir, sentirás. Acredita.
30girl a 12 de Março de 2004 às 22:54

Ah como eu entendo, estou actualmente numa relação da qual me cansei e da qual não me estou a conseguir libertar, que me consome, que me deixa os nervos em franja, porque me foi roubado o meu silêncio, é de certa forma um abuso, e se nos primeiros tempos até gostava, agora é verdadeiramente insuportável ouvir falar permanentemente, é o rádio e a tv ligados em simultâneo permantemente, preciso de ajuda para sair disto. Isto é só um desabafo. Obrigada por existirem!
MAria a 23 de Novembro de 2012 às 14:38

Concordo com a Crysal... percebermos o que se passa sem dizer uma palavra é sinal de sintonia. Não é necessário palavras... a harmonia, sinal de paz, é rainha dos dias e das noites.
Paulo Ferreira a 11 de Março de 2004 às 19:54

Eu também gosto de silêncio ... com conta e medida qb. ...Beijokas ***
Ltus a 11 de Março de 2004 às 19:06

Esse é o silencio confurtavel crys. Mas sabes bem que existe o outro onde ja nada faz sentido.
Trintapermanente a 11 de Março de 2004 às 17:52

eu diria mais como Dupom
é sobretudo pelo silêncio que se revelam a amizade e o amor. Na minha vida eu só pude confiar e amar (nos vários sentidos)aqueles junto dos quais o silêncio é confortavel.
Aliás agora que me fizeste pensar nisso talvez seja esse o 1º sinal de que uma relação (qualquer que ela seja) pode ser verdadeira.
não precisar falar é muito mais vezes sinal de que nos entedemos do que de não haver nada para dizer ao outro.
crystalazul1970 a 11 de Março de 2004 às 10:26

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