Coisas de trintona...

Março 05 2004
Quando mencionei este livro como um dos que mudou a minha vida em algum aspecto, disse que voltaria a falar dele. O título deste livro, quando o encontrei, suscitou-me desde logo a curiosidade por depreciativamente pensar que se trataria daqueles livros que nos dão receitas de actos calculistas e engendrados para alcançar determinados objectivos ou bens. Mas não. É um livro que se debruça sobre nós mesmos como o nosso próprio obstáculo, nomeadamente através dos nossos medos e as nossas atitudes e posturas perante a vida e perante nós mesmos. O que vou deixar-vos é apenas uma síntese de duas das partes mais interessantes do livro, como tópicos para reflexão. Não deixo grandes explicações; deixo a primeira reflexão para que possam adquirir o livro e consumi-lo à vossa vontade.

Gray considera que existem 12 bloqueios principais à concretização dos nossos desejos e objectivos e que existem 12 formas de os removermos. Os bloqueios, ou «12 maneiras de nos desligarmos do sentir das nossas verdadeiras vontades», são:

1) A vingança - Proporciona alívio e por vezes sentimento de justiça, mas esgota-nos em vários sentidos.

2) A fixação - As fixações prendem-nos muitas vezes a coisas/pessoas/momentos obsoletos e fecham-nos o coração a tantas outras coisas que existem por esse mundo fora (e até por esse mundo dentro... de nós).

3) As dúvidas - Não devemos ter dúvidas, mas sim incertezas. A dúvida leva-nos à inacção, não avançamos por medo, indecisão; a incerteza não nos impede de avançar e até nos deixa abertos a outras perspectivas. Dúvida e incerteza não são sinónimos. Diz Gray: «Grande parte da ansiedade está em acreditarmos no medo em vez de nos lembrarmos de que realmente nada sabemos» (p. 212), e de que a vida é sempre uma incerteza e que não podemos deixar de a viver só por causa disso. Haverá sempre incerteza.

4) A racionalização - Distanciamo-nos do nosso desejo porque nos limitamos a pensá-lo e não a senti-lo também. Colocamos de lado a paixão pelo que queremos e fazemos.

5) O desafio - Há que desafiar o desafio. Ou seja: «Às vezes queremos fazer coisas apenas para desafiar alguém ou provar que esse alguém está errado» (p. 216). Para quê perder tanto tempo e energia? Porque nos fazemos depender do poder de outros? Porque não respondemos apenas ao nosso próprio poder?

6) A submissão - «Quando estamos desapontados, em vez de nos rendermos à aceitação do que aconteceu, desistimos e submetemo-nos» (p. 217). Rendição não é sinónimo de submissão ou fraqueza; é apenas desistir da resistência ao inevitável, aos factos.

7) Evitar, evitar... - Tememos o fracasso e por isso protelamos os compromissos, e substituimos as nossas vontades principais por vontades secundárias.

8) As defesas próprias - É a «desculpativite» (arranjamos sempre uma desculpa para tudo), o «eu sou assim e quem não gostar...», são os «-inhos», a crítica permanente aos outros, e tantas outras coisas.

9) A rejeição - «Se rejeita o que precisa, tende a querer aquilo de que não carece ou não pode ter» (p. 223).

10) Reter o amor - Podemos fazer ajustamentos conforme a experiência passada, mas porquê deixar de amar? Ou melhor: porquê fingir que já não queremos saber mais do amor?

11) A reacção - Há que responder em vez de reagir. Ser activo em vez de reactivo. «Sustente a força, poder e posição, não iguale a energia à dos outros».

12) Fazer o sacrifício do amor - Se não estamos bem, com todas as nossas dimensões satisfeitas (as dimensões que constituem a nossa estrutura enquanto pessoa), não tem sentido fazer sacrifícios em nome do amor. Chegaremos a um ponto em que nos esvaziamos ou ficamos doentes.


Cenas dos próximos capítulos: como remover estes 12 bloqueios?
publicado por 30girl às 00:21

Tenho péssima mania de me comparar com os outros, confesso. Agora, prestes a completar trinta anos, sinto-me bem distante de tudo que tinha planejado, pessoalmente e profissionalmente, o que me deixa muito angustiada. A maioria das minhas amigas tem emprego fixo, namorado fixo ou estão noivas/casadas e eu sempre vagueando de um emprego ao outro, viajando, morando na Europa, agora que me dei conta de que preciso "assentar"o faicho.
[ ]´s
Anny Shoegazer a 7 de Março de 2004 às 16:54

Nick, mas quem disse que tenho ânsia de mudar? Estou apenas a escrever reflexões minhas e não ando tensa nem a querer modelar-me por estes livros. reflectir nunca matou ninguém, antes pelo contrário, e parece-me que estás a interpretar a minha escrita de uma forma radical. Eu gosto de mim, muito, não me vejo de forma negativa; simplesmente na minha escrita mostro que tenho a capacidade de tomar consciência de mim mesma. Parece-me que me interpretas mal. Não estou insegura nem stressada e só vim partilhar um livro. E nunca disse que queria mudar num dia. tenho sempre dito que algumas transformações se têm vindo operando em mim, desde há muito tempo, e que tenho tomado consciência de alguns aspectos, mas não estou a adaptar-me a nenhum livro.
30girl a 6 de Março de 2004 às 21:42

vai com calma e não queiras roma e pavia num dia.
antes era o mestre de reiki, agora são os livros de auto-ajuda?
porque queres ter sempre alguem a dizer-te como deves ser ou agir?
acho-te muito tensa, com um desejo excessivo por mudar o teu ser, numa palavra insegura.

Confia mais em ti mesma e menos num mestre anonimo.

Isto digo eu que no fundo quase não te conheço e apenas te leio. Tens defeitos como eu tambem os tenho, mas não faças um retrato tão negativo de ti mesma no passado recente. Tens muitas coisas boas.

Se te poes a tentar adaptar-te a tudo o que diz um livro desses (ou pior ao que dizem varios livros desses) podes ficar insatisfeita, aumentar o teu stress, sentir-te ainda mais insegura.

Tu tens coisas boas e más, como todos, mas sei que tens mais boas que más logo não queiras apagar o que és. Vai com calma não te ponhas a tentar modelar todo o teu ser por esses livros.
nick a 6 de Março de 2004 às 01:29

Sinto-me tentado a comprar... pelo que li já me deixou muito curioso. BJ
Paulo Ferreira a 5 de Março de 2004 às 12:51

Vou reflectir e tentar identificar estas situações na minha maneira de pensar e agir ;-)
Trintapermanente a 5 de Março de 2004 às 11:00

Hum?! ... parece interessante ;-) Beijokas***
Ltus a 5 de Março de 2004 às 01:17

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