Coisas de trintona...

Fevereiro 17 2004
Como comentário ao meu artigo anterior, Trintapermanente refere um artigo cuja publicação online não consegui encontrar, para poder linkar aqui. De qualquer das formas, tendo em conta que este comentário inicia a discussão de um tema, passo a publicá-lo como artigo, e a publicar os respectivos comentários.
O título sugere que este é o primeiro artigo nascido de comentários.


Trintapermanente escreveu:

«Li ha pouco tempo um artigo q acho q será do teu interesse tb e de quem aqui vem visitar; "Porque não se casam as solteiras" na revista ELLE de Fevereiro. O artigo é patetico, define as solteiras "cronicas" como frustradas das experiencias anteriores e por isso cheias de medos p experiencias futuras, com "um grau de exigencia desmedido e uma enorme falta de paciencia p testar novos namorados". Define p estas mulheres a fase do enamoramento como uma fase penosa por haver sentimentos envolvidos e por consequentemente condicionar a sua vida/rotina de solteira que embora "miseravel", é-lhe familiar. Resultado; "Aquilo que mais queria perde o interesse (assim) que é seu". E passa imediatamente a criar estrategias para deixar o "amado", elaborando um inventario de defeitos. O artigo termina c um conselho; "Para n se tornar eremita, comece a registar(...) os sinais de alarme (...)Procure travar de forma consciente o seu inconsciente. Só assim poderá ter uma vida afectiva normal". Alguem se identifica com o q o artigo diz? La por sermos solteiras temos necessariamente que ser paranoicas? Todos temos as nossas experiencias, que obviamente condicionam o nosso futuro, se assim n fosse nunca aprenderiamos, nunca amadureceriamos- Chama.se a isto CRESCER - Caso contrario seriamos uns eternos ingenios, o que apartir de uma certa idade e experiencia eu passaria a adjectivar de uma forma diferente... Vale a pena ler o artigo!» (Enviado por Trintapermanente em fevereiro 17, 2004 09:48 AM)


E o Paulo respondeu:

«Sobre este ultimo comentário... com o devido respeito, por mais patético que possam achar que o artigo seja, para mim está carregado de razão. Por um lado acho natural que as "crónicas" tenham medo de voltarem a sofrer com novos relacionamentos mas se formos fechar sempre a porta a quem quer entrar no nosso coração estaremos a condenar o nossa felicidade, partindo do pressuposto que a felicidade para por um novo relacionamento. Mas existe ainda um outro lado que não foi falado. Muitas vezes, depois de relacionamentos que não deram certo, algumas pessoas condicionam de tal maneira o dia a dia que não têm tempo para mais nada. Isto tudo com objectivo de "fugir" da entrada de novas pessoas nos seus mundos. MAs quando a pessoa, aparentemente certa, aparece é-lhes impossivel voltar atrás, ou seja, tornam-se escravas daquilo que criaram. Para crescer é preciso viver, e sofrer... mas sofrer porque se quer sofrer, essa é a verdadeira tragédia.» (Enviado por Paulo Ferreira em fevereiro 17, 2004 01:33 PM)

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O meu comentário:

Li o referido artigo da Elle «Porque não se casam as solteiras». Sim, de vez em quando compro a Elle e a Máxima. Devo dizer que concordo com a tua perspectiva, Trintapermanente, mas também com o comentário do Paulo, apesar de tb achar que os artigos das Máximas e Elles, embora interessantes, são na maior parte das vezes exagerados. Concordo (e já o defendi aqui) que as «trintonas» não são uns bichos-papões, embora tb seja da opinião que depois dos trinta anos se joga muito à defesa, principalmente se os relacionamentos não correram bem. E isto é válido tanto para mulheres como para homens. E é natural. Afinal a experiência vai-nos dando defesas.
Mas as defesas às vezes são muitas. E entra-se no trabalho mais a sério. Conheço pessoas assim, lindas e maravilhosas, inteligentes, mas que criaram muitas defesas e que (é verdade) se demitiram de algumas tentaivas de felicidade por medo, por desilusão, por desinteresse, por falta de paciência para aturar certas coisas, por medo do controlo social, por medo de perder a segurança de certas rotinas. E acabamos muitas vezes por nos escondermos atrás do «Mas eu estou bem interiormente!», embora falte sempre ali qualquer coisa, um sal qualquer. Ainda hoje tive esta conversa com uma amiga minha.

Por todas aquelas razões deixamos de continuar a fazer tentativas, sempre a pensar: «E se é mais uma aventura e não corre bem? E se volto a magoar-me?». So what?? Eu própria já pensei assim, mas deixei-me disso. É para mim pior ficar cheia de «ses», do que ter uma experiência, mesmo que não muito boa. Pelo menos fui lá, tentei, vivi alguma coisa, tive sal, calor, uma dose de loucura saudável. Senti-me viva. E faço tudo por isso.
Há que assumir que viver implica necessariamente coisas boas e menos boas. Nunca nada é sempre bom. Mas a passividade, a lamúria constante, a infelicidade constante, as zonas cinzentas, é que não!
Por isso, as solteiras, como todas as outras pessoas em todos os outros aspectos da vida, têm uma dose de responsabilidade na sua vida. «Somos muito mais responsáveis pelo que se passa à nossa volta do que aquilo que pensamos», dizia um formador um dia destes. É verdade. As situações dependem, na melhor das hipóteses, em 50% da nossa responsabilidade, e em 50% da responsabilidade de factores externos. Na melhor das hipóteses.
publicado por 30girl às 21:55

"O medo de arriscar n é exclusivo das solteiras(...) 90% das pessoas se casam exactamente por medo de arriscar mais!"
Duas grandes verdades econcordo contigo, embora pareça antagonico. Ja o W. Allen mensionou num dos seus filmes ( n me recordo de qual) quem casa é pq se conformou/resignou :-)
Trintapermente a 11 de Março de 2004 às 19:00

As referidas revistas, aparecem cá por casa de vez em quando e acho que de ano para ano vão perdendo qualidade e pertinência! Nesta altura do campeonato são autêntico lixo que sofre de uma falta de coerêcia extrema: defendem a mulher emancipada e moderna ao mesmo tempo, nos artigos, procuram criar a mulher perfeita segundo padrões estabelecido nem sei bem por quem, mas que são o cúmulo da futilidade! Acho que se alimentam da insegurança das leitoras.
O medo de arriscar não é exclusivo das solteiras e muito menos das trintonas. Pessoalmente acho que 90% das pessoas se casam exactamente por medo de arriscar mais!
hitchhiker a 2 de Março de 2004 às 01:31

Gostaria de acrescentsr aos vossos comentarios que tb temos que levar em conta a sociedade em que vivemos, as mentalidades. O homem portugues ainda tem a "obrigaçao" de se comportar como "macho". Eu nunca me dei bem, sempre que fui eu a avançar e mostrar o meu interesse.
Em vez disso tenho que " dar sinais" de interesse de maneira a tb n parecer "oferecida" e esperar que ele avance.
Ou, ser a eterna escolhida e nunca escolher.
Sou uma mulher moderna, independente, gira , se ainda por cima escolher, tomar iniciativas, definir "timmings", é so ve-los fugir a minha frente. :-)
Acho que ainda ha muito que evoluir nas nossas cabecinhas...
Trintapermanente a 20 de Fevereiro de 2004 às 09:21

Exacto, concordo totalmente. O segredo está nos olhos com que olhamos para as coisas. É a velha história de que o real não existe por si só; ele é aquilo que sai de dentro de nós, e por isso o real é tão diverso. E pensar que eu já fui daquelas pessoas que desistia (aliás, nem chegava a tentar) por medo de sofrer.
30girl a 19 de Fevereiro de 2004 às 23:03

Voltei a ler tudo, vezes e vezes sem conta, e lembrei-me de uma coisa que li e que, dentro deste contexto, faz muito sentido, na minha opinião. Gostaria de partilhá-lo.........................................................................................................................."Muitas pessoas sofrem por antecipação. E por causa desse medo, fazem um seguro anti-sofrimento que as mantém permanentemente afastadas de factos novos. Não sofrem, mas também não vivem.
Se uma pessoa passa a vida toda a evitar o sofrimento, também acabará por evitar o prazer que vida lhe oferece. Há milhares de tesouros guardados em lugares onde temos de ir para os descobrirmos. Há tesouros numa praia deserta, numa noite estrelada, numa viagem inesperada, num salto de asa-delta... O importante é ir de encontro deles, ainda que isso exiga uma boa dose de coragem e desprendimento.
Não procure o sofrimento. Mas se ele fizer parte da conquista, enfrente-o e supere-o. Arrisque, ouse, avance na vida. Ela é uma aventura gratificante para quem tem coragem de arriscar." ........................................................................................................................Porque não gozar cada momento da vida de forma intensa? O que temos a perder? Afinal, no fim, não vamos sair vivos dela.
Paulo Ferreira a 19 de Fevereiro de 2004 às 18:20

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